REVIEW: The Mentalist – 5×16/17: There Will Be Blood/Red, White and Blue - Líder Séries

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25 de março de 2013

REVIEW: The Mentalist – 5×16/17: There Will Be Blood/Red, White and Blue



The Mentalist voltando aos maus costumes.
Spoilers Abaixo:


5×16: There Will Be Blood
Há alguns momentos de The Mentalist em que a série revela grande perícia na condução de narrativas, criando tensão nos momentos certos e criando um ritmo pouco comum em procedurais policiais, que em geral mantêm uma velocidade e seguem com ela até o final do episódio. Isso geralmente acontece quando Bruno Heller decide que é momento de tratar de sua trama principal, criando a curiosa teoria de que a série seria muito melhor se contasse apenas com os capítulos focados em Red John. Assim, se o episódio anterior fora problemático, There Will Be Blood é competente na maioria de suas propostas.
Repare como, ao contrário de em outros tempos, o episódio não trata exatamente de Red John, ainda que seja de fato uma evolução da trama principal. Isso acontece pela maneira competente com que o roteiro trata a presença de Lorelei, evitando que a personagem se transforme em uma mera vítima do serial killer, construindo seus medos e suas convicções de maneira hábil, abordagem iniciada já no fraco season finale da quarta temporada. Por isso, ainda que o nêmesis de Jane seja apenas citado aqui na maior parte do tempo, sem que o roteiro se foque em algum de seus crimes ou em suas origens, percebemos que The Mentalist cria alternativas em seu arco, evitando que siga de forma excessivamente linear.
Por conta disso, é admirável a ideia de criar um episódio como There Will Be Blood, focando-se apenas nas tentativas de Lorelei para descobrir a verdade sobre a morte de sua irmã. Assim, vê-la torturando Julia logo no início do episódio cria uma cena angustiante, exibindo um crime por um ângulo raramente proposto por The Mentalist, além de nos fazer compreender seus motivos da mesma maneira que Jane, mas evidentemente estabelecendo um certo mistério para que a investigação não se transforme em algo óbvio.
Por conta da natureza do roteiro, é natural que Jane tenha um papel menos dedicado a mostrar suas habilidades e frases de efeito, e mais em suas crenças em Lorelei. É curioso ver como o consultor conhece a criminosa, compreendendo todas as suas motivações de forma sublime. Além disso, ele se afasta de Lisbon à medida que a investigação prossegue, como se soubesse que a amiga veria através de suas mentiras e procurasse resolver tudo de maneira mais isolada do que de costume para que Lorelei não fosse atrapalhada em sua descoberta, algo que, para Jane, seria crucial para que a identidade de Red John fosse revelada.
E assim como é a primeira vez que Jane se mostra cego em relação a um caso, é uma das primeiras em que ele de fato comete um erro fatal. Ao acreditar que Lorelei se voltaria contra Red John ao descobrir a verdade, ele ignora o fato de que o serial killer jamais permitiria que ela se aproximasse tanto de seu inimigo se de fato acreditasse que ela poderia fazê-lo. Assim, é interessante que The Mentalist aposte nessa faceta de seu protagonista, impondo-o como um investigador implacável e calculista, exceto quando suas armações tentam enfrentar Red John. Por isso, chega a ser cruel a forma como a série permite que o personagem dê sinal verde para vários crimes apenas para, mais uma vez, encontrar uma sólida parede em frente. E nesse aspecto a morte de Lorelei é, além de bastante óbvia, um duro golpe sofrido por Jane, que contabiliza poucas vitórias contra seu inimigo.
No que diz respeito à narrativa, There Will Be Blood é muito feliz em diversos aspectos. A começar pela forma fluida com que impõe sua história, jamais permitindo que a trama desande para caminhar em círculos. Como na forma batida, mas eficaz, com que exibe diálogos em paralelo para evidenciar certos pontos da investigação sem a necessidade de repetir perguntas ou situações. Além disso, o episódio é muito feliz ao
É claro que o episódio tem seus problemas. Um deles é a insistência de The Mentalist em retomar o romance entre Rigsby e Van Pelt, ainda que ela sequer esteja presente atualmente. A série teria tanto por fazer por eles, mas prefere investir na pieguice de um romance que nunca funcionou. Além disso, o excesso de didatismo de There Will Be Blood incomoda, especialmente nos últimos minutos. O flashback que mostra quando Jane encontrara a linha de pesca é desnecessário, invasivo e abusa de explicações que apenas insultam o espectador.
Assim, ainda que There Will Be Blood não seja o melhor exemplo de episódios focados em Red John, ainda assim consegue trabalhar de maneira discreta algumas características do embate entre oserial killer e Patrick Jane.
5×17: Red, White and Blue
Em geral, quando procedurais investem em atmosferas diferentes das habituais, procuram explorar sua natureza para criar uma trama diferente do normal. Esse tipo de abordagem é bastante popular por criar uma maneira simples de sair da mesmice, sem a necessidade de quebrar paradigmas para evitar repetições. Da mesma forma, quando a série desperdiça esse tipo de oportunidade, fica a sensação de que apenas a criou por mera necessidade de se expor, sem perceber que ali reside uma chance de criar algo diferenciado. E Red, White and Blue é exatamente esse segundo exemplo.
O grande problema do episódio é exatamente o fato de criar todo um ambiente baseado no exército, ameaçando a todo momento explorar suas características para envolver seus personagens em algo inédito. No entanto, o roteiro jamais o faz, caminhando de forma rasa entre os nuances desse tipo de habitat e estabelecendo a investigação da mesma maneira padrão que The Mentalist costuma fazer. Em outras palavras, a série se revela preguiçosa, tratando sua trama como uma mera repetição em pele diferente, falhando em trazer algo novo ao espectador, aspecto importantíssimo em produções do gênero.
Se ao menos a investigação fosse conduzida através de uma narrativa bem estruturada, o problema já citado seria amenizado. No entanto, todas as soluções propostas pelo roteiro parecem excessivamente fáceis, jamais criando algum clima de tensão e falhando em passar a impressão de que o crime representa de fato um desafio para a equipe da CBI. Pelo contrário, todas as certeiras investidas de Jane mostram o consultor como se estivesse apenas brincando sem responsabilidade alguma. O que torna a experiência de assistir ao episódio algo aborrecido e sem atrativos.
Tudo isso se personifica na figura de Cho. Embora seja interessante vê-lo enfrentando pessoas importantes do exército, até por conta de seu passado, Red, White and Blue parece forçar demais essas situações, como vemos já nos minutos finais, em que o roteiro parece não perceber a pieguice da continência do personagem, que não acrescenta absolutamente nada à história ou a Cho, mostrando-se como uma tentativa desesperada de conceder algum valor a ele, tendo como resultado apenas uma cena terrivelmente executada.
Ainda assim, Pete se revela um bom personagem temporário para The Mentalist, por conta de todos os seus conflitos causados pela falta de sua memória. É verdade que é pouquíssimo crível ver Jane sendo mais eficaz com a memória do rapaz que seus próprios médicos, mas os diálogos entre eles são consideravelmente relevantes para a trama. Além disso, é bastante curioso ver Jane pedindo desculpas a alguém, o que mostra certa sensibilidade por parte dele, sentindo-se culpado por usar a deficiência de alguém a seu favor.
Por falar em verossimilhança, o desfecho de Red, White and Blue abusa da paciência do espectador ao mostrar o médico tomando uma decisão incrivelmente estúpida e sendo capturado por conta dela. Em geral, quando Jane insere um elemento falso da investigação, não o faz de forma tão explícita, o que torna a busca do culpado por tal coisa um pouco mais crível. Mas aqui seria de se imaginar que não era aquele o momento para invadir o armário, o que torna o desfecho do episódio muitíssimo artificial. Além disso, a própria justificativa para o crime, envolvendo o divórcio do assassino, é patética e não faz sentido algum.
O que transforma Red, White and Blue em um episódio falho durante quase todos os seus 40 minutos, mostrando uma The Mentalist trazendo de volta velhos – e ruins – hábitos.
Fonte: The Mentalist

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