Review: The Mentalist – 5×10-12: Panama Red/Days of Wine and Roses/Little Red Corvette - Líder Séries

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28 de janeiro de 2013

Review: The Mentalist – 5×10-12: Panama Red/Days of Wine and Roses/Little Red Corvette



E não é que The Mentalist engrenou um arco?
Spoilers Abaixo:


Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir desculpa pelo atraso nas reviews de The Mentalist. Acabei atrasando alguns episódios da série por falta de tempo, que só existia para as comédias, mais curtas. Espero não atrasar mais nenhuma review.
5×10: Panama Red
Um grande sinal de que a quinta temporada de The Mentalist eleva a qualidade da anterior é o fato de que mesmo seus episódios comuns, como este Panama Red, se revelam extremamente cuidadosos com os detalhes, deixando de lado a maneira displicente com que a série trabalhava seus casos semanais até o último ano. E se este episódio não pode ser considerado uma grande obra criativa, ao menos revela uma estratégia que The Mentalist abandonara havia anos, mas que é aos poucos retomada.
Essa característica é o foco nas habilidades de Jane. Ao longo das últimas três temporadas, The Mentalist transformou seu protagonista em um elemento pouco crível, substituindo seu carisma por arrogância até mesmo com o espectador, que se via obrigado a aceitar planos mirabolantes construídos longe de seus olhos, trazendo um festival de conveniência. Em Panama Red, no entanto, o roteiro de Michael Weiss (que estreia na série) procura sempre deixar o público a par das armações de Jane, transformando todo o seu plano em algo que dure todo o episódio. Dessa forma, além de tornar a situação verossímil, o roteirista explora com competência as habilidades de Jane, sem torná-lo um messias que resolve tudo repentinamente.
No entanto, é curioso como a série sempre investe em finais extremamente semelhantes. The Mentalist não se preocupa em variar suas tocaias, e por mais que cada caso tenha um desenvolvimento diferente eles sempre terminam da mesma forma, tornando tudo repetitivo. Aliás, finalizar seus episódios sempre foi um dos grandes defeitos da série, que parece ter problemas enormes em criar conclusões satisfatórias, mesmo que o restante tenha sido conduzido com competência. Aqui, por exemplo, vemos Rigsby disfarçado para capturar o culpado. Principalmente após Van Pelt se tornar inútil é sempre ele quem faz isso, independente de qual caso se trata.
Mas é preciso salientar que, nesse caso em específico, a execução da tocaia funciona. Principalmente por criar algo inusitado que é preciso em gerar humor. Rigsby fumando maconha aos olhares de Lisbon é o tipo de cena que The Mentalist não está acostumada a fazer, e é eficaz exatamente por ser pontual, e não algo exagerado e repetitivo, que poderia facilmente ser desgastado em poucos minutos. É uma das evidências que a série saiu do piloto automático para investir em algo mais criativo e relevante.
Assim como a trama de Cho, que mostra que a série tem procurado cuidar melhor de seus coadjuvantes. Embora a história com Summer soe ligeiramente deslocada nos primeiros minutos, ela logo mostra sua intenção de introduzir o novo relacionamento do personagem, além de demonstrar sua garra especial com a ex-namorada, importantíssima para a evolução de Cho, que por conta dela deixou de ser apenas um policial durão, algo praticamente obrigatório em séries policiais. Além disso, permite que esse arco tenha um desfecho, abandonando o péssimo hábito de The Mentalist em deixar tramas inacabadas, como a infame história de Kristina Frye, até hoje não esclarecida.
Sem criar um episódio grandioso mas esbanjando competência, The Mentalist finaliza 2012 em boa forma, com uma sequência de boas histórias que transformam a quinta temporada da série em uma das melhores, retornando às origens e tendo boas decisões criativas.
5×11: Days of Wine and Roses
Um dos maiores problemas enfrentados por The Mentalist é o fato de depender demais de seu arco principal, que é naturalmente duradouro por ser basicamente a premissa da série. Essa abordagem sempre impediu que os personagens, exceto por Jane, recebessem algum carinho por parte do roteiro, sempre passando a sensação de serem subaproveitados, ainda que em alguns momentos tenham tido seus lampejos. E se esta quinta temporada é exatamente a redenção de The Mentalist, é perfeitamente compreensível que seja o ano em que a série aposte em algo a mais, saindo de sua zona de conforto para criar algo único e interessante. Dessa ideia surge Days of Wine and Roses, facilmente um dos melhores episódios da temporada.
De todas as subtramas criadas por The Mentalist, nenhuma ganhou importância como a perseguição de Lisbon a Tommy Volker, que surge como um sociopata típico, se assemelhando bastante ao próprio Red John em sua falta de escrúpulos e nível de crueldade. E é inteligente que Bruno Heller tenha concebido o personagem dessa forma, já que isso o permite traçar paralelos entre os dois vilões e entre Lisbon e Jane, que se aproximam por conta desse fato.
Por isso, não é por acaso que o roteiro de Rebecca Perry Cutter divida a narrativa em duas tramas, uma envolvendo o assassinato de Charlotte Coates e outra sobre a odisseia de Lisbon. Essa abordagem já foi vista inúmeras vezes em The Mentalist, mas com Jane em busca de Red John. Assim, quando a série procura fazer o oposto, com seu protagonista conduzindo a investigação praticamente sozinho, tenta evidenciar ao espectador que Volker é para Lisbon o que Red John é para Jane, guardadas as devidas proporções.
Mas ao contrário do serial killer, Volker não é uma figura puramente abstrata, o que traz uma maior sensação de maniqueísmo, mas torna o vilão mais palpável. Aliás, é interessante que The Mentalist procure investir nesse tipo de personagem, já que desde seu piloto admitira a dependência em seu antagonista principal, o que revela uma nova preocupação criativa da série com a construção de algo diferente que diminua essa incômoda característica.
E se em outras ocasiões The Mentalist peca por não conseguir trabalhar com tramas paralelas, emDays of Wine and Roses o que acontece é o oposto, com o roteiro se esforçando para que as duas histórias não sejam prejudicadas pelo fato de não terem grande conexão. Isso acontece por conta da competente decisão de jamais permitir que todo o destaque fique com uma das histórias, alternando de maneira dinâmica e fluida, impedindo uma excessiva segmentação do episódio.
Até para Jane Days of Wine and Roses é interessante, já que traz o personagem para um mundo onde suas atitudes são melhor analisadas, o que naturalmente o faz não simpatizar com psiquiatras em geral. Aliás, é curioso que o primeiro caso mostrado por The Mentalist tenha envolvido um profissional do ramo, fazendo com que essa característica não soe artificial em nenhum momento. No entanto, a cena criada por Jane para resolver o caso não é criada com a mesma competência do episódio anterior, se tornando óbvia desde sua primeira menção, além de parecer elaborada demais, o que remove a naturalidade da situação para investir em algo puramente exacerbado.
Ainda que apresente alguns problemas, Days of Wine and Roses mostra que The Mentalist tem intenções muito diferentes do que seu pensamento habitual para esta temporada, trazendo um episódio sólido e consumando a existência de um arco para que a série deixe de viver apenas de seu arco principal.
5×12: Little Red Corvette
Em The Mentalist nada costuma ser duradouro, exceto pela trama principal da série. Tudo que é inserido geralmente é resolvido em um ou dois episódios. O que é natural para um procedural que investe grande parte do tempo em casos da semana. No entanto, é curioso que a série, já veterana, procure mudar essa característica em prol do melhor aproveitamento de seus personagens. Melhor que isso, o faz de maneira extremamente competente, evitando se tornar uma tentativa desesperada de mudança de rumos devido à má audiência. E este Little Red Corvette é só consequência de tudo isso.
Ao contrário de Days of Wine and Roses, em que a trama envolvendo Volker coexiste com um caso da semana, aqui vemos uma investigação que só existe por conta do arco principal do episódio. Por mais que a abordagem do episódio anterior funcione, é muito mais prudente dar mais tempo de tela à história quando ela atinge seu clímax, e o fato de reaproveitar o desaparecimento de Horatio Jones comprova que The Mentalist tem se saído muito bem em criar algo diferente na temporada, já que essa decisão transpira coesão, permitindo que o espectador se sinta mais confortável assistindo ao desenvolvimento.
E se nas oportunidades anteriores a série procura estabelecer um paralelo entre a obsessão de Lisbon com Volker e a de Jane com Red John, em Little Red Corvette há a confirmação dessa abordagem, com ela tomando praticamente as mesmas decisões contestáveis do amigo, incluindo algumas fora da lei. E para isso ela conta com a volta de Ardiles, cuja aparição em Panama Red serve como uma espécie de introdução para o que vemos aqui, em que o promotor tem papel mais importante. Aliás, o fato de Lisbon se dispor a contrariar a lei para conseguir sua vingança é crucial para a personagem, já que ela provavelmente terá que fazer o mesmo no momento em que Jane finalmente alcançar Red John. Assim, essa busca por Volker faz com que ela compreenda melhor o que seu amigo passa, justificando o paralelo entre os dois.
Em geral, o episódio funciona em todos os seus aspectos. A começar pela primeira cena, em que é feliz em criar uma atmosfera de extrema tensão, fazendo com que o espectador de fato tema pelo futuro do menino. Aliás, Little Red Corvette é muito competente em estabelecer um jogo de gato e rato entre Lisbon e Volker, criando um ambiente em que não sabemos o desfecho, exatamente pelo fato de se tratar de um arco mais extenso, não com duração definida de um episódio, como estamos acostumados a ver em The Mentalist.
O curioso é que a atitude exagerada de Lisbon não chega a incomodar Volker em nenhum momento, já que ele se mostra sempre um passo à frente da polícia. No entanto, quando Jane utiliza seu estilo pausado e sempre sereno para intimidá-lo é o momento em que o empresário finalmente passa a entender que está mais perto de ser preso do que imagina. E se isso poderia soar como mais um indício da infalibilidade de Jane, o efeito é o oposto já que afirma a parceria entre os dois, que é a mensagem principal que The Mentalist que passar com toda essa trama.
Por esse motivo, a participação tardia de Jane é mostrada de forma competente, além de ressaltar a estratégia da série em explorar as habilidades de seu protagonista da maneira um pouco mais sutil, como vemos no momento em que ele provoca Volker apenas para identificar um dos homens que faz os serviços sujos para ele. E Jane também tem a função de ser algo que nunca fora: o elemento calmo e isento da situação, fato que o faz se sentir bem, já que contribui para que Lisbon tenha sua vingança.
Do outro lado está Volker, muitíssimo bem explorado pelo roteiro de Ken Woodruff como um homem completamente sem escrúpulos. Toda a situação envolvendo Marvin tem como função justamente pontuar essa característica, em que o empresário se vê encurralado pelo fato de ninguém querer ajudá-lo. Aliás, seu único erro é o fato de ter sujado as mãos uma única vez quando não tinha outra escolha, o que acarreta em sua prisão, que não deve durar muito.
Trazendo o melhor desta quinta temporada em um único episódio, Little Red Corvette mostra porque The Mentalist tem evoluído tanto criativamente, consolidando sua melhora e estabelecendo este ano como um dos melhores da série.

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