Review: The Mentalist – 5×09: Black Cherry - Líder Séries

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3 de dezembro de 2012

Review: The Mentalist – 5×09: Black Cherry



De volta à velha rotina.
Spoilers Abaixo:



The Mentalist, desde sua primeira temporada, é construída como um procedural com fórmula muito rígida, impedindo-a de alçar voos mais longos. A decisão de Bruno Heller por não se apoiar em tramas menores ou grandes envolvimentos de personagens coadjuvantes ajuda a estabelecer a identidade da série, ainda que não tenha contribuído com a elaboração de grandes histórias. Por conta disso, é natural esperar que The Mentalist apresente episódios mais amenos, o que não vinha acontecendo até Red Sails in the Sunset. E por conta dessa quase crise de identidade da série no princípio desta quinta temporada, é inevitável que Black Cherry termine com um ligeiro tom de frustração, ainda que não seja em geral um mau episódio.
Escrito por Erika Green Swafford, o episódio mostra a investigação sobre o assassinato de Lemual McVie, ex-membro de uma importante gangue de rua, mas que reestruturou sua vida até virar corretor de imóveis em uma empresa famosa por dar segundas chances. Certa de que seu irmão foi morto por conta de seu passado, Juliana McVie toma uma decisão e drástica e acaba presa, fazendo com que o mais novo da família, Noah, corra o risco de ser acolhido pela Previdência, o que motiva Jane a convencer Lisbon a liberar a garota. Enquanto isso, Jane investiga a fundo os acontecimentos do crime enquanto procura reduzir os suspeitos de ser Red John.
Ainda que esta quinta temporada esteja mostrando bons episódios mais por conta da trama principal, os casos da semana apresentados até aqui também cumpriram com competência seus papeis, sugerindo uma evolução na maneira de pensar de Heller e seu time de roteiristas. No entanto, Swafford parece não compreender bem esse novo conceito e, em sua estreia na temporada, faz com que The Mentalist volte a cair em velhos vícios que inevitavelmente prejudicam o desenvolvimento das tramas, como a forma pedante e conveniente com que Jane soluciona o caso, sem permitir que o espectador de fato sinta que a teoria faz sentido. Em outras palavras, o roteiro procura empurrar uma resposta sem preparar qualquer embasamento para isso, conseguindo apenas soar ilógico e enganador. Além disso, um dos responsáveis pela morte de Lem é apresentado apenas após a metade do episódio, introduzindo-o de maneira irresponsável e esperando que o público aceite seu envolvimento.
Esses problemas na construção do caso não poderiam acontecer em pior hora, já que Black Cherry é o episódio que mais procura se apoiar em sua fórmula básica, tornando-se bastante dependente da mesma. Assim, quando esta falha, é inevitável que o episódio como um todo se torne mais fraco. O mesmo acontece com a estrutura narrativa, que segue a receita da série estritamente, tornando-se excessivamente linear e orientado a acontecimentos-base. Tudo isso torna o episódio previsível em todos os aspectos, permitindo ao espectador saber até o momento em que certo fato irá ocorrer. Da mesma forma, a série se mostra incompetente até mesmo em esconder a gravidez de Amanda Righetti, o que cria um efeito incômodo no espectador, acostumado a vê-la em seu porte físico normal. Talvez, nesse caso, o ideal fosse retirar a atriz temporariamente, ao invés de limitá-la a pequenas participações.
Além disso, Black Cherry ainda busca ser criativo onde não é necessário, como na constrangedora sequência em que os três culpados narram o crime que cometeram. Além de descartável, a situação torna a história maçante e insossa, embora a intenção fosse criar um exercício de estética interessante, ainda que não passe de um exibicionismo desnecessário.
Por outro lado, a forma como o roteiro trata a vítima é eficaz em desvendar os motivos pelos quais o crime aconteceu. Ao contrário dos assassinos, cuja motivação é atirada na tela de forma superficial, Lem é tratado com mais carinho por Swafford. Todo o seu passado envolvendo gangues e violência, seguido por uma retomada apoiada por sua família, acaba sendo crucial para que entendamos o porquê dele querer ir à polícia, cansado como está de tomar sempre as decisões erradas. Assim, além de humanizar o personagem a fim de não tratá-lo apenas como um cadáver, o episódio compreende suas atitudes e envolve o público para se identificar com o morto.
Nesse aspecto, Noah é importantíssimo, servindo como uma espécie de ponte entre a trama principal do episódio e a secundária, que envolve Lisbon e Jane. Ainda que esta seja excessivamente melodramática, revela algumas características interessantes do segundo, que, se outrora encararia friamente as consequência da prisão de uma pessoa, hoje não suporta a ideia de alguém perder sua família. Isso acontece por conta da proximidade de Red John e do maior trauma de sua vida, levando-o a tomar atitudes generosas e ausentes de qualquer interesse próprio, algo pouco natural para Jane.
Aliás, se há algo que Black Cherry faz semelhante à atual filosofia de The Mentalist é o fato de inserir pequenos gags da trama principal da série, evitando que o episódio soe avulso. O que leva a diálogos interessantes, como o que Jane afirma que Lisbon não está em sua lista pelo fato de Lorelei ter afirmado que ele e Red John não são amigos. É curioso este ser o único motivo, sinal da paranoia que deve invadir a mente de Jane nos próximos episódios. Além disso, o espectador tem uma oportunidade de ver o caderno do personagem, que inclui nomes conhecidos como o de Virgil Minelli. Seria interessante se a série investisse algum tempo em histórias dedicadas aos que Jane considera como maiores suspeitos, o que adicionaria um quê de mistério à trama e permitiria que o espectador formasse suas próprias opiniões. No entanto, é bem provável que The Mentalist prefira atirar uma resposta qualquer esperando convencer seu público.
Ainda que seja facilmente o pior episódio da temporada e o que apresenta a maior quantidade de problemas, Black Cherry traz alguns elementos importantes, ainda que não seja exatamente crucial para o desenvolvimento das tramas. Em outros tempos, episódios como esse seriam completamente descartáveis. Sinal de que The Mentalist de fato é hoje uma série amadurecida.

SérieManiacos

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