Review: Homeland – 2×11: In Memorian - Líder Séries

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13 de dezembro de 2012

Review: Homeland – 2×11: In Memorian



A pergunta de um milhão de dólares é: e aí?
Spoilers Abaixo:


O título do episódio dessa semana de Homeland pode até parecer uma grande ironia, se levarmos em consideração o que a série fez nesse penúltimo episódio. O roteiro chegou num ponto de decisão tão absoluto, que isso transcendeu a crítica. Não faz mais sentido ficar analisando o episódio, porque a resolução do problema “Nazir” eclipsou todo o resto. Quando o episódio terminou, o desespero em mim era notável. O que Homeland pretende? Pra onde ela vai? Tudo agora se resume à Brody?
Eu vou continuar o espírito da review anterior e dizer de todo coração, que não sei como me sinto a respeito da maneira como Nazir apareceu e se despediu. Parte de mim quer aceitar tudo isso de braços abertos, e embarcar. No entanto, a outra parte – aquele diabinho inconveniente – fica dizendo no meu ouvido que depois de duas temporadas de expectativa, a aparição e morte de Abu Nazir merecia outro tipo de atenção. Talvez uma que o fizesse parecer menos incompetente.
E então eu me pergunto de novo: “incompetente” é a palavra? Vários de vocês usaram argumentos até muito plausíveis para justificar as atitudes dele. Mesmo assim, cabe a todos nós nesse momento, avaliarmos o quão restritivas pareciam as medidas do “grande terrorista”. Sair de seu país, de onde tinha o controle de tudo, e entrar no território inimigo, para coagir Brody (um aliado ambíguo), usando uma agente como refém, libertando-a viva, permanecendo no lugar onde a aprisionou e tudo isso, sozinho. Eu fiquei muito desconfortável com esse esquema, mas ao mesmo tempo me sinto receoso de julgar negativamente.
 Tenho estado num momento difícil com Homeland. Nunca me acovardei de fazer críticas que julgava necessárias ao texto, mas pela primeira vez, estou inseguro, com medo de ser leviano, com medo de não estar entendendo a complexidade da série, que à primeira vista (e diante dos acontecimentos) parece rasteira. E essa insegurança é fruto da incredulidade. Não posso acreditar em rumos tão negativos, diante de uma série que sempre teve tudo nas mãos. E é só escrever uma frase como essa que já vem um sentimento de culpa enorme, que grita: “Não!! Não fale assim deHomeland!!”.
Mas ao mesmo tempo, como posso reagir perante momentos como o de Dana? Escolheram justamente esse momento de decisão, para trazer à tona a chata latente que sempre esteve em ebulição dentro dela. A personagem sempre se manteve numa linha tênue entre a profunda maturidade e a singela inocência. Isso era bom pra ela… Mas agora, justamente agora, resolvem revelar a adolescente histérica que ela não precisava exibir nesse momento. Já tínhamos entendido os dramas de Dana da melhor maneira possível, com sutileza. Ela não precisava berrar sua prepotência nos nossos ouvidos.
Não é como se a série não soubesse o que está fazendo. Ela sabe. E isso aparece nas seqüências em que Roya não cai no joguinho de Carrie, ou quando Carrie surta e começa acusar os colegas de jogo duplo… Com a trama principal indo por caminhos bem esquisitos, os detalhes acabam ganhando essa importância: a de protagonizarem aquele instante em que dizemos “ah sim, isso é Homeland”.
Sobre David, preciso admitir que gosto de odiá-lo, só para vê-lo se dando mal depois. Aquele repúdio em Saul foi um bom momento do episódio, e provavelmente construirá um novo ciclo de tensões no futuro… O Futuro… O futuro é uma expressão perigosa nessa série. A segunda temporada decidiu resolver o passado e o presente, e escureceu as possibilidades de futuro. Homeland virou uma questão de pura e absoluta confiança. E seu season finale, quem diria, se fechou todo em cima de uma questão que apareceu só recentemente na série: a decisão de acabar com a vida de Brody.
 Com Nazir fora de páreo, eu também não consigo entender como a morte de Brody pode parecer estratégica. Parece apenas um capricho, uma decisão vazia de motivações profissionais, até porque,Carrie não disse a ninguém o que Brody teve que fazer para salvá-la. Se alguém aí entende a decisão de executá-lo de outra maneira, elucide pra gente, por favor. Porém, em perspectiva, a reunião de todos esses eventos, de todo esse ciclo fechado, e a melhor maneira de evitar um esticamento nocivo do romance CarrieXBrody é realmente, acabar com ele. Brody precisa morrer. Homelandcaminha para isso, e precisa nos dar isso. Acho que é a única forma de manter sua força, dramaticidade e orgulho.
 Ps: Só dá pra comentar a separação de Jéssica Brody de um jeito: até que enfim.
 Ps 2: O choro de Brody ao saber da morte de Nazir resume tudo que Homeland precisa voltar a ser: uma série sobre política e religião.

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