Review [Flash Back] : The Mentalist – 4×10: Fugue in Red - Líder Séries

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17 de dezembro de 2012

Review [Flash Back] : The Mentalist – 4×10: Fugue in Red



Há males que vem para o bem.
Spoilers Abaixo:



É curioso como grandes tragédias tem o poder de modificar pessoas em um piscar de olhos. Os japoneses, por exemplo, são um povo nascido no desastre, e que por isso tornaram-se exemplo de superação e competência para todo o mundo, como visto recentemente após o arrasador terremoto que destruiu boa parte do país. A psicologia explica esse tipo de evolução como uma forma de compensação por uma grande perda, baseada na natureza humana de procurar enxergar um lado positivo em situações terríveis. Por esse motivo, é extremamente comum que pessoas tornem-se incrivelmente melhores após sofrerem um grande trauma. É natural que excelentes caráteres sejam construídos na tragédia. Explorando intensamente essa característica humana, The Mentalist se despede de 2011 com este bom Fugue in Red, que aproveita ainda para aprofundar-se na história de seu protagonista.
O episódio começa após o assassinato de Paul Satterfield, um famoso bombeiro da cidade, conhecido por ser um grande herói. A equipe da CBI é, então, chamada para descobrir o assassino. Ao explorar a cena do crime buscando pistas, no entanto, Jane é atacado pelo criminoso, escapando da morte por pouco. Mesmo assim, o consultor mostra perda parcial de memória, acreditando ainda ser o golpista de antes do assassinato de sua família. Mesmo assim, Lisbon ainda acredita que ele possa ser útil na investigação, além de ajudar a recuperar sua memória. Mas o resultado não chega perto do esperado, e Jane só causa problemas para toda a equipe.
O maior acerto de Fugue in Red é sem dúvidas o fato de a série conseguir abordar diferentes assuntos sem que em nenhum momento algum deles pareça deslocado dos demais. Assim, o roteiro é feliz em desenvolver suas histórias de maneira sempre fluente, evitando momentos de abruptas mudanças, que facilmente irritariam o espectador. Além disso, é louvável a tentativa de Bruno Heller de procurar enxergar seu trabalho por um outro ângulo, para que The Mentalist não termine 2011 com um episódio genérico e entediante. Dessa forma, é interessante ver como os roteiristas procuram fugir da rotina até mesmo em pequenos pontos, como ao mostrar o luto Cynthia Satterfield de uma forma completamente diferente do comum, sendo feliz ao tornar a personagem extremamente repulsiva para seu público.
Aliás, o desenvolvimento do caso da semana é mais um ponto positivo do episódio. Isso acontece principalmente porque a série procurar envolver a investigação com a discussão de outros temas, novamente tentando ser o mais diferente possível. Por isso, a maneira como o roteiro trata a personalidade de Satterfield, mostrando-o como um herói local, mas que não é visto dessa forma por seus próprios colegas de trabalho, levanta os dois lados do heroísmo, além de destruir o caráter de vítima ao exibir que a grandeza do falecido é uma questão de perspectiva, além de mostrar-se interesseira e antiética. Isso é percebido facilmente ao ouvir os depoimentos de Cynthia, completamente desinteressada na morte de seu marido, e que reclama de nunca ter tido um casamento de fato, por conta do vício em adrenalina de Satterfield.
Embora o caso seja desenvolvido de maneira inteligente, sempre procurando exibir os porquês das situações, o desfecho da investigação se dá de maneira excessivamente pobre, como se o roteiro procurasse se apressar para se livrar dessa situação. Aliás, esse é um incômodo vício de The Mentalist, que muitas vezes não sabe como encerrar suas tramas, prejudicando histórias interessantes dessa maneira. Aqui, o que vemos é uma solução exageradamente fácil, mostrando Jane ligando pontos de uma forma quase aleatória, o que passa ao público a sensação de que o caso é resolvido por pura sorte. Além disso, o uso de flashbacks expositivos para mostrar como Wilcox matou sua vítima torna-se maçante, tornando toda a cena de encerramento do caso arrastada e sem conseguir cumprir o objetivo desta.
Mas é no que diz respeito ao desenvolvimento de Jane que Fugue in Red funciona muito bem. Embora os esforços para ressuscitar o protagonista, na cena em que ele é afogado, criem um drama desnecessário, pelo simples fato de haver a certeza que nada muito grave ocorreria com o consultor, é inegável que o que ocorre depois disso seja algo muito proveitoso tanto para o personagem, como para a série em si. The Mentalist nunca retratou de maneira honesta o passado de seu protagonista, preferindo abordar pontualmente alguns momentos de sua história, sem jamais aprofundar-se no assunto. Aqui, no entanto, o que vemos é uma maneira criativa de mostrar ao espectador a natureza de Patrick Jane, antes do assassinato de sua família. É interessante como essa perspectiva retira, intencionalmente, boa parte do carisma do personagem, como forma de ratificar a afirmação de Cho de que a tragédia fora um excelente acontecimento para Jane, levando a cenas como a que ele finge ter recuperado parte da memória apenas para conseguir o que quer.
Além disso, o episódio ainda brinca com as habilidades de Jane, mostrando-as em seu estado bruto, como se procurasse tornar as atuais muito mais suaves e sutis, uma vez que Jane não procurava em momento algum ser amigável, exceto quando tenta se conectar a alguém para fazer uso dessa ligação em um momento posterior. Assim, o episódio fazer que o espectador conheça o que Jane era antes do começo da série, criando uma simpatia muito maior com o atual personagem.
E assim chegamos ao final do episódio, que surpreende pela elegância com que a história da perda de memória é solucionada, criando um desfecho diferente para a série. Fugue in Red termina com um abrupto corte de cena, deixando um final em aberto que cumpre de maneira extremamente a função de deixar o espectador se perguntando sobre o que de fato ocorre ali. Dessa forma, Heller evita ser excessivamente didático com uma cena em que Jane deixaria claro para Lisbon que sua memória de fato voltou, preferindo que essa questão fique no ar, em uma bonita cena que praticamente não precisa de palavras para ser descrita, em um hábil exercício de construção de histórias.
Por isso, é possível afirmar que The Mentalist tem abandonado, aos poucos, irritantes hábitos que acompanham a série desde sempre. Assim, esta quarta temporada vai se caracterizando de maneira interessante, mesmo que não brilhante, apagando boa parte das más impressões deixadas pelo irregular ano anterior.
@GabrielOliveira / Seriemaniacos

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