[Flash Back] Review: The Mentalist – 4×01: Scarlet Ribbons [Season Premiere] - Líder Séries

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19 de dezembro de 2012

[Flash Back] Review: The Mentalist – 4×01: Scarlet Ribbons [Season Premiere]



O melhor season premiere de The Mentalist.
Spoilers Abaixo:


Nunca uma temporada de The Mentalist se iniciou com tanta ansiedade por parte do espectador. Desde seu primeiro ano, a série sempre procurou encerrar suas temporadas com bastante conservadorismo, e consequentemente iniciando seus anos seguintes sem necessitar juntar pontas soltas ou resolver grandes cliffhangers deixados no season finale anterior. No entanto, ao final de sua terceira temporada, The Mentalist concebeu seu melhor episódio, provocando o público ao encerrar sua temporada de maneira impactante, com Patrick Jane supostamente vingando o assassinato de sua família, finalmente. Assim chegamos a este Scarlet Ribbons, que é extremamente feliz em conceder respostas, assim como levantar novas questões.
Começando exatamente do ponto onde termina Strawberries and Cream (o primeiro acerto do episódio, evitando um frustrante salto temporal, que nos privaria destes importantes acontecimentos), o episódio narra a tentativa de Jane e a agora suspensa equipe da CBI de provar que o homem assassinado por Jane, Timothy Carter é mesmo Red John. No entanto, Carter se aproxima muito mais da imagem de um santo do que de um criminoso, ao menos aos olhos de sua aparentemente dócil esposa, Sally. Mas, existem buracos nessa história, e é neles que o roteiro deScarlet Ribbons se apoia para construir sua investigação.
Primeiramente, é importante perceber como Bruno Heller (criador da série e roteirista deste episódio) é extremamente feliz ao conseguir transformar toda a solução dos conflitos iniciados ao final da terceira temporada em um episódio com a mesma estrutura narrativa de outros menos importantes, mantendo uma coerência narrativa interessante, sem fazer com que a série precise fugir de sua fórmula pra construir boas histórias. Aliás, era exatamente o que faltava a The Mentalist: criar ótimos episódios sem necessitar de situações inusitadas ao universo da série.
Além disso, o desenvolvimento da investigação sobre Timothy Carter se dá de maneira fluente, envolvendo naturalmente todos os coadjuvantes, preocupados com Jane e com seus próprios empregos. O que leva a um verdadeiro destrinchamento da personalidade de Carter, construindo um personagem ambíguo, que acaba aumentando o clima de dúvida que paira sobre o episódio, evitando mostrar ao espectador a verdade até os segundos finais. E, curiosamente, quanto mais Sally se mostra convincente até para Jane, mais o público tem certeza que há algo errado com aquele casal. Mas, se inicialmente Timothy Carter surge como algo parecido com Trinity, de Dexter, logo o roteiro deixa claro que Sally é quem é uma verdadeira psicopata, que, no entanto, jamais mentira ao dizer que o marido não escondia segredos dela.
Mas, no momento em que é revelada a verdadeira face de Sally Carter é também o ponto mais fraco de Scarlet Ribbons. Nesse momento, Heller parece se apressar para encontrar um desfecho para essa história e partir para os minutos mais importantes do episódio. Assim, a solução da investigação soa repentina demais, como se a história entrasse em um modo fast-forward. É uma pena que Sally desapareça dessa forma do episódio, sem que o espectador possa desfrutar do fim desse caso de maneira apropriada. Além disso, a solução cai no velho truque de The Mentalist em utilizar de seu protagonista para um exageradamente fácil jogo mental, brincando com a confiança de Sally em seu marido. É verdade que Jane possui um incrível poder de persuasão, mas o truque de semear a dúvida na cabeça de alguém já é extremamente batido na série. E confesso não ter entendido como Lisbon prendeu Sally Carter estando suspensa.
Em relação ao aproveitamento dos personagens, é muito bom perceber que The Mentalist parece estar dando mais atenção aos conflitos de seus coadjuvantes. É verdade que eles ainda parecem muito apagados, principalmente se comparados a seu protagonista, mas é interessante notar a mudança de postura de Van Pelt após ser obrigada a atirar em seu noivo e a constante preocupação de Lisbon com a subordinada, orientando-a a procurar ajuda psiquiátrica, procedimento padrão para esse tipo de situação. Não é possível saber o que os roteiristas tem em mente para a ruiva, mas é um pequeno arco com um potencial razoável para desenvolvimento, muito embora o histórico da série não comprove essa tese. Além disso, a postura de Lisbon também se mostra totalmente alterada após os acontecimentos do season finale passado. Se anteriormente ela parecia preocupada com o estrago que as atitudes de Jane provocariam em sua equipe, agora ela percebe a importância do consultor para vida profissional dela, o apoiando inclusive em suas ideias mais insanas. E, mais importante, acreditando nele, mesmo contra todas as evidências, coisa que não aconteceria anteriormente.
Mas, como não poderia deixar de ser, é Jane o grande destaque de Scarlet Ribbons, deixando claro que os fatos ocorridos em Strawberries and Cream são realmente impactantes para o futuro dele e da série. Primeiramente, é preciso analisar as reações do personagem ao longo do episódio. Repare como a expressão de Jane retrata a mais pura felicidade e alívio, enquanto é transportado para a delegacia onde será preso. No entanto, ao descobrir que Carter não possuía nenhuma arma com ele, e não havia feito nenhuma ligação para O’Laughlin, essa expressão se fecha, e toma novamente o ar dúbio que caracteriza o personagem. Após essa revelação, Jane sempre passa a sensação de duvidar de si mesmo, não conseguindo passar a segurança revelada nos primeiros minutos. Entretanto, logo o consultor volta a se empolgar com a possibilidade de provar que Timothy Carter era de fato Red John, justamente pelo fato de toda a equipe da CBI parecer acreditar nele. Mas, novamente, ao ouvir o depoimento de Sally, a segurança dele desaparece novamente, apesar de ele perceber que há algo de errado com aquela família.
O que nos leva ao momento do julgamento. Nesse ponto, o episódio dá a entender que já se passou algumas semanas desde que Sally Carter fora presa. O que por si só já seria capaz de levantar algumas questões. E, nesse momento, Scarlet Ribbons tem seu maior acerto. Quando Jane começa a fazer seu discurso para o júri, o diretor Charles Beeson aposta em uma eficiente profundidade de campo baixíssima, mantendo apenas seu protagonista em foco, conferindo maior peso àquelas palavras. Além disso, repare como Jane parece evitar o contato visual com a câmera, dando a sensação de que ele se esquiva de algo. Some-se a isso as falas convincentes, com Simon Baker mostrando que realmente entende a mensagem que seu personagem procura passar. É união desses fatos que torna o discurso tão persuasivo, mesmo que mentiroso.
E, graças a esse pequeno monólogo, The Mentalist consegue fazer com que o fato de Timothy Carter não ser Red John como algo natural, e, embora não traga para o espectador muitas respostas, levanta várias novas questões a serem respondidas pela série. Se os roteiristas o farão de maneira apropriada, é outra história. Por enquanto, é possível afirmar que The Mentalist começou sua temporada de maneira excelente.

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