[Flash Back] The Mentalist – 4×03: Pretty Red Balloons - Líder Séries

ULTIMAS

26 de dezembro de 2012

[Flash Back] The Mentalist – 4×03: Pretty Red Balloons



De volta à velha rotina.
Spoilers Abaixo:


The Mentalist sempre procurou afastar as habilidades de seu protagonista, Patrick Jane, do surrealismo e da pura ficção. Por isso, apesar de Jane ter atuado como vidente anos antes de sua família ser assassinada, o personagem tem uma grande aversão a pessoas que dizem ter poderes psíquicos. Um dos motivos para isso é o grande trauma sofrido por ele durante sua época de charlatanice. Mas a principal razão é, na verdade, para tornar a capacidade de observação de Jane um objeto mais plausível, estabelecendo um contraste entre as inexistentes habilidades sobrenaturais e a imensa percepção do protagonista. Quando The Mentalist investe nesses aspectos, o resultado é satisfatório. É uma pena que Pretty Red Balloons falhe em tantos outros elementos.
O episódio mostra a investigação do sequestro de Connor Flint, um garoto de oito anos. Sua mãe, Beth, é uma ex-cliente de Jane da época que ele trabalhava como vidente, e continua acreditando que esse tipo de habilidade é real, crendo que Jane está se escondendo de seu dom por conta do trauma que sofreu. Ela também conta com outro especialista em consultas espirituais, Nathan Glass, o que desperta o interesse de Jane, determinado em desmascarar o impostor. Logo suspeita-se do envolvimento do Balloon Man, um pedófilo que assassina crianças utilizando o mesmo M.O. mostrado no sequestro de Connor, mas logo essa suspeita se mostra infundada, tornando o caso um drama familiar.
Após dois episódios que iniciaram a temporada de forma a dar seguimento aos acontecimentos do season finale passado, The Mentalist volta à sua rotina. E isso não poderia ser pior para a série. Não há problema algum com a exibição de fillers durante uma temporada, e não há fã algum que acredite que nessa temporada haverá um imenso desenvolvimento de tramas em detrimento de uma avalanche de casos da semana exibidos em sequência. No entanto, a cena final do episódio anterior deixa claro que ainda há muito a ser explorado em relação ao fato de Timothy Carter ser ou não Red John, e o fato dos roteiristas terem abandonado completamente essa história logo no terceiro episódio traz uma forte sensação de enrolação e covardia, já que esse episódio poderia perfeitamente ser exibido em qualquer temporada (com uma ou outra mudança) sem que qualquer diferença fosse percebida.
Um dos aspectos que torna Pretty Red Balloons um episódio aleatório é o fato de Jane mostrar-se exatamente o mesmo da terceira temporada. Os conflitos que o personagem vinha sofrendo, recusando-se a sequer considerar a possibilidade de finalmente ter cumprido a tarefa que o atormentava, simplesmente desapareceram, dando lugar ao mesmo Jane inconveniente de sempre. Esse tipo de incoerência é um dos piores defeitos da série, que parece ir e voltar de situações de maneira completamente aleatória, dando nós na cabeça do espectador, que jamais acredita nos verdadeiros problemas psicológicos pelos quais seu protagonista passa, a não ser quando os roteiristas finalmente se lembram de que há uma história a ser desenvolvida.
Além de apresentar inconsistências com seu próprio roteiro, o caso da semana em Pretty Red Balloons também não consegue convencer. Se em Little Red Book a investigação contribui apenas como pano de fundo para o desenvolvimento de Jane, aqui ele é tratado como elemento principal do episódio, e, da mesma forma que o anterior, falha em passar sua mensagem, principalmente porque em momento algum o caso de sequestro torna-se relevante, envolvendo personagens desinteressantes e apáticos. Além disso, o desfecho do caso mostra-se repentino e simplório, revelando um criminoso com pouquíssimo tempo de tela. Da mesma maneira, as motivações do personagem em sequestrar Connor soam fracas, revelando uma certa pressa dos roteiristas em concluir a trama. Como se não fosse o bastante, a participação do Balloon Man acaba sendo completamente desnecessária, revelando-se como um recurso utilizado pelo roteiro apenas para enganar o espectador, e fazê-lo pensar que está acompanhando um desenvolvimento sério da trama.
Mas, se Pretty Red Balloons fracassa ao desenvolver seu caso da semana, ao menos no que diz respeito aos personagens a série tem se mantido coerente, principalmente no caso de Van Pelt. É interessante acompanhar sua evolução gradativa após assassinar seu noivo. Apesar de esse aspecto não ser abordado em grande quantidade no episódio, os roteiristas tem mostrado que pretendem seguir nesse caminho. Aliás, Van Pelt sempre mostrou uma lenta evolução desde o começo da série, quando era uma novata na CBI, buscando encontrar seu espaço. Da mesma maneira, é possível perceber que Lisbon aparece diferente de em outras oportunidades. Primeiramente pelo fato de estar mais receosa em desrespeitar as regras. Por isso, não é por acaso que existe a cena inicial do episódio, com a chefe tentando convencer Jane a comparecer a um seminário obrigatório a todos. Além disso, ela também parece mais aberta aos bizarros recursos utilizados por Jane para resolver os crimes, embora procure não perguntar ao consultor, apenas confiando que as estratégias dele darão resultado.
Já Jane parece cada vez mais próximo do seu passado. Embora o comportamento dele nesse episódio seja consideravelmente incoerente, como já citado acima, é importante que o roteiro tenha se aproximado novamente do passado do consultor, evidenciando o arrependimento que personagem tem quanto a seus tempos de charlatanice. Além disso, mais uma vez a série traz a discussão entre as habilidades sobrenaturais e a simples observação. É assim que Nathan Glass surge como uma ótima oportunidade para Jane provar de uma vez por todas que pessoas desse tipo são apenas ótimos atores, baseando-se em suas percepções apuradas. Por isso, a cena em que Jane encena uma visão, revelando o local em que Connor está, é de fato uma solução elegante encontrada pelo personagem, mesmo que os caminhos que levam a esse momento, bem como os que surgem a partir deste, sejam percorridos de forma equivocada. Dessa maneira, o episódio exibe mais uma vitória da racionalidade sobre a emoção, que é um conflito abordado pela série em grande quantidade, como uma forma de justificar as habilidades de Jane, além de evidenciar a grande mágoa do personagem com seu passado.
Assim, The Mentalist consegue trazer para o espectador um elemento que torna este Pretty Red Balloons um pouco menos falho. No entanto, para uma temporada que começou de maneira tão consistente, é impossível não afirmar que esse episódio tenha deixado bastante a desejar.
@GabrielOliveira / Seriemaniacos

Nenhum comentário:

Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial