[FLASH BACK] The Mentalist – 4×02: Little Red Book - Líder Séries

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23 de dezembro de 2012

[FLASH BACK] The Mentalist – 4×02: Little Red Book



As coisas nunca são o que parecem.
Spoilers Abaixo:


Enganar o espectador é um recurso que precisa ser utilizado com muito cuidado. Se for usado excessivamente e de maneira pouco consistente, o máximo que será conseguido é a irritação do público, somada a um forte sentimento de que absolutamente nada está ocorrendo na série. The Mentalist abusou dessa abordagem em suas três primeiras temporadas, sempre evitando explorar muito seu plot principal, entediando o espectador, que sempre parecia ter a sensação de que a série estava incompleta. No entanto, quando a terceira temporada acabou, ficou a sensação de que os responsáveis pela série tinham a intenção de mudar o caminho que vinham tomando (fato confirmado alguns meses depois por Bruno Heller). E, após um season premiere que denunciava o perigo de as coisas continuarem exatamente como antes, Little Red Book desfaz todas essas expectativas, fazendo um excelente uso do supracitado recurso.
O episódio volta à rotina tradicional da série, envolvendo um assassinato e uma investigação por trás deste. Mas a situação na CBI já não é como antes. Com Lisbon suspensa, Bertram deixa claro que não pretende mais contar com a agente, e aloca Jane para uma outra equipe de investigação, a de Ray Haffner. Mas, como sempre, o consultor faz suas próprias regras, manipulando o novo chefe para trazer Van Pelt de volta (Cho já havia sido chamado pelo próprio Haffner, para vigiar Jane). A vítima da vez é Markus Kuzmenko, instrutor da acemia Work It!, chefiada por Jocelyn Chapain, que conta que o assassinado era conhecido por seu charme e por ser um galanteador. Então, Jane tem a ideia de utilizar essa investigação para trazer Lisbon de volta, se julgando culpado pela situação vivida pela amiga. Ela, por sua vez, tenta convencê-lo de que Timothy Carter era de fato Red John.
Repare como a premissa de Little Red Book envolve muito pouco a investigação sobre a morte de Kuzmenko, focando-se principalmente nas histórias dos personagens, e, pela primeira vez, não é apenas Jane que recebe grande destaque. O episódio, escrito por Tom Szentgyorgyi (responsável por dois dos melhores episódios da temporada anterior, Ball of Fire The Red Mile), busca evidenciar a relação entre todos os integrantes da equipe, bem como o sentimento de cumplicidade de todos eles com Lisbon. É a primeira vez que The Mentalist trilha por um caminho desse tipo, evitando jogar todo a responsabilidade da condução do episódio nas costas de Simon Baker. Entretanto, esperava que o conflito psicológico vivido por Van Pelt fosse melhor explorado, ao invés de uma curta cena envolvendo sua sessão com uma psiquiatra.
O que mostra que a intenção de Heller em mudar completamente a rota de The Mentalist está sendo confirmada, depois de um season premiere que, embora excelente, mostra um pouco de conservadorismo. É verdade que, com a volta de Lisbon, os casos da semana que ocupam grande parte do episódio deverão voltar a aparecer constantemente, mas a possibilidade de construção de outros arcos importantes é real, permitindo que histórias intrigantes e inteligentes apareçam. O arco principal, por exemplo, nunca esteve tão presente na storyline de The Mentalist, com Red John surgindo com muito mais força dentro do roteiro dos episódios.
Mas, se os coadjuvantes também merecem destaque em Little Red Book, é mais uma vez Jane que traz para a série seus melhores momentos, dessa vez com o apoio de Lisbon. Semana passada afirmei que Scarlet Ribbons levantava um número enorme de perguntas, sem responder muitas que já haviam surgido anteriormente. Aqui o que vemos são soluções sendo encaminhadas, mostrando que aquele diálogo ao final do episódio anterior está muito longe de ser o fim do plot iniciado no momento em que Jane atira em Timothy Carter. Aqui, vemos um Jane convicto de que Carter não era Red John, embora nitidamente não saiba explicar a relação entre os dois, nem como o morto sabia coisas que apenas o serial killer poderia saber. Repare como é uma das poucas vezes em que Jane não possui uma resposta na ponta da língua, admitindo que a situação está muito acima de seu entendimento.
Além disso, o próprio roteiro dá conta de aumentar a confusão também no espectador. Com vários plot twists, o texto oscila entre a certeza de que Carter é o assassino da família de Jane e a certeza de que ele era apenas um criminoso comum. Apesar de essa oscilação provocar uma certa confusão, é interessante como trabalha com primitiva de que absolutamente nada deve ser encarado como verdade absoluta, envolvendo vários argumentos que se anulam se considerados como um todo. Por exemplo, se o fato de Carter saber o cheiro da mulher e da filha de Jane definitivamente o coloca como suspeito, o sumiço da arma o exclui, já que seria no mínimo estranho que Red John tenha pedido para que sumissem com ela se ele fosse de fato Carter, já que para isso ele teria de saber que morreria. Mas, a carta deixada por Sally Carter volta a trazer Timothy como suspeito, e a resposta de Rosalind novamente desaponta os que imaginam que Carter é Red John. Dessa forma, The Mentalist consegue fazer com que o espectador não acredite nas coisas que vê, passando a desconfiar de atitudes e respostas, podendo elaborar interessantes teorias sobre o assunto. No entanto, pode provocar um sentimento de que nada exibido na tela é válido, se os roteiristas não souberem trabalhar esse recurso com parcimônia.
Mas, se o episódio é eficaz em construir as histórias de seus personagens, o caso da semana acaba se tornando o ponto fraco de Little Red Book. Primeiramente, porque os integrantes da nova equipe de Jane não conseguem tornar o desenvolvimento do caso interessante, mostrando-se praticamente sem utilidade. Além disso, a própria investigação comete falhas que incomodam. Por exemplo, a maneira que Jane descobre que a garota da academia tivera um caso com Kuzmenko soa terrivelmente artificial, elevando as habilidades do consultor a um nível praticamente sobrenatural. Além disso, o desfecho do caso mostra um truque já saturado utilizado por Jane, mostrando que os jogos mentais dele soam repetitivos demais ao longo dos anos. Da mesma maneira, a queda-de-braço entre ele e Bertram, manipulando o chefe para que Lisbon possa voltar acaba tendo um desfecho repentino, prejudicando toda a operação armada por Jane.
Apesar desses problemas, o caso da semana não é suficiente para prejudicar o desenvolvimento das histórias em Little Red Book, que, se não consegue ser excepcional, acerta em cheio na sua mensagem, mostrando para o espectador qual deverá ser a direção que a temporada seguirá. Esperemos.
@GabrielOliveira / SERIE MANIACOS

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