Flash Back: Chuck – 5×12/13: Chuck vs. Sarah/Chuck vs. The Goodbye [Series Finale] - Líder Séries

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7 de dezembro de 2012

Flash Back: Chuck – 5×12/13: Chuck vs. Sarah/Chuck vs. The Goodbye [Series Finale]



Finito.
Spoilers Abaixo:


Importante: Embora estes episódios sejam em teoria dois episódios distintos, neste texto serão tratados como um só, pelo fato de terem sido concebidos para serem vistos em sequência. Portanto, se você não assistiu a algum deles, e não goste de spoilers, recomendo que não leia a review.
Acabou. Após cinco anos lutando incessantemente contra o fantasma do cancelamento, Chuck finalmente encerra sua passagem pela televisão, de maneira muito mais tranquila que o esperado, principalmente levando-se em conta a sempre fraca audiência da série. Não é errado dizer que ela cumpriu seu ciclo de maneira correta por conta da fiel base de fãs, uma das maiores da internet. São poucas as séries que ganham de suas emissoras a oportunidade de cumprir seu objetivo sem que o espectador precise se revoltar com o excesso de pontas soltas e com a falta do chamado final digno. Nesse ponto, o fã de Chuck não tem nada com o que se preocupar. Pôde se deleitar com um series finale que, embora exagere em alguns aspectos, encerra de maneira inteligente uma deliciosa série.
A principal crítica feita a esta quinta temporada se deve à perceptível falta de homogeneidade entre os episódios, que alternaram entre uma infinidade de tramas, parecendo muitas vezes indecisa sobre qual caminho seguir. No entanto, é inegável que, nos últimos episódios, a série tenha se concentrado em criar, ainda que rapidamente, uma história que convença o espectador que essa história precisa de fato acabar, procurando evitar deixar qualquer possibilidade de outra temporada. Em outras palavras, é como se Josh Schwartz e Chris Fedak colocassem Chuck em uma caixa lacrada, onde não há espaço para mais nada.
Nesse aspecto, é indiscutível que o series finale da série tenha sido bem executado. Procurando fechar todas as lacunas possíveis, o episódio encaminha as tramas de todos os seus personagens, algumas delas iniciadas dentro dele próprio, como a mudança de Ellie e Devon para Chicago. Assim, seria impossível que certas situações fossem evitadas, como as cenas de despedida, que ocupam considerável parte do episódio. Até mesmo Jeff e Lester recebem um imenso carinho da dupla de roteiristas, ganhando imenso destaque na segunda metade da história, criando um momento típico da série, como parte da atmosfera nostálgica criada pelo episódio.
Aliás, é justamente esse elemento que prejudica o finale, embora seja perfeitamente justificável. Muitas vezes a história prefere evocar um sentimento nostálgico no espectador de forma muito direta, forçando-o a emocionar-se com o final da série. Esse tipo de recurso poderia ser substituído por situações mais sutis, igualmente eficientes ao trazer lágrimas no rosto do público. Dessa forma, o desenvolvimento e desfecho da história acabam prejudicados pela necessidade de uma enorme quantidade de cenas em flashbacks, como se a série tentasse explicar para seus fãs o momento correto de chorar, o que, após inúmeras vezes, acaba tendo o efeito oposto.
Embora pretensiosa, a auto-homenagem proposta por Schwartz e Fedak consegue em alguns momentos amarrar todos os acontecimentos da série, principalmente pela maneira como o episódio se encerra (falarei disso mais abaixo). Assim, é interessante revisitar a sala branca onde Bryce Larkin (citado mais de uma vez aqui) roubara o Intersect pela primeira vez, e onde Chuck baixara a versão 2.0 deste, proferindo a linha de diálogo mais famosa da série. Aliás, não é por acaso que os flashbacks mais antigos sejam os que funcionem de maneira mais eficiente, simplesmente pelo fato de não soarem repetitivos na cabeça do espectador, ao contrário do pedido de casamento de Chuck, repetido mais de uma vez ao longo do episódio.
De qualquer forma, é indiscutível que as tramas iniciadas ao longo da temporada tenham se encerrado de maneira coerente ao longo do series finale. A caracterização do Intersect como o verdadeiro vilão de toda a série, por exemplo, é logo evidenciada por Chuck, que parece finalmente ciente dos grandes males que essa tecnologia pode trazer, propostos por seu pai Orion ainda na segunda temporada. Além disso, era evidente que a série jamais abandonaria o supercomputador justamente em seu final, já que ele é basicamente o princípio de tudo, além de acompanhar seus personagens ao longo de toda a jornada.
Mas o principal de todo o final da série é o inesperado confronto entre Chuck e Sarah, que se dá durante a primeira metade. A forma como o roteiro constrói a lavagem cerebral sofrida pela espiã por Quinn surpreende o espectador pela crueldade, além de revelar uma grande coerência com o passado da série, uma vez que vários aspectos abordados na primeira temporada são respeitados aqui. Mas o grande acerto nessa investida é o fato de Schwartz e Fedak jamais se permitirem grandes devaneios, mantendo-se racionais durante os 80 minutos de exibição. Repare, por exemplo, como a todo tempo o roteiro foge de clichês, como na cena em que Chuck conta para Sarah que ela se apaixonara por ele, e o episódio, ao invés de optar pelo lugar-comum, decide por um plano cruel, que, este sim, age como um soco no estômago do espectador.
Além de seus personagens ganharem acertadas decisões do roteiro, Zachary Levi e Yvonne Strahovski surpreendem ao conferir aos seus Chuck e Sarah semblantes diferentes do usual. Levi, por exemplo, incorpora um ar de intensa preocupação ausente em Chuck durante toda a série. Da mesma forma, Strahovski é feliz ao mostrar uma Sarah indiferente ao pesadelo sofrido pelo marido, apenas obcecada pelo cumprimento de sua suposta missão, exatamente como a agente vista logo no piloto, dando uma interessante oportunidade de conhecer a Sarah Walker do passado, vista por outro ângulo.
Como não poderia deixar de ser, todos os personagens encerram seus ciclos de evolução. Chuck, por exemplo, mostra-se finalmente um espião de verdade, não pensando duas vezes ao precisar tomar uma importante decisão, que afeta diretamente o futuro dele com Sarah, mostrando um amadurecimento inimaginável há cinco anos. Além dele, Casey finalmente admite ter passado por grande mudança, principalmente após o surgimento de Alex, que surge no finale com a função de evidenciar a “moleza” do pai. Mas, principalmente, é Morgan quem deixa finalmente de ser o nerd esquisito da primeira temporada, para assumir um compromisso de morar com sua namorada, outro fato impensável em outros tempos.
Outro aspecto curioso neste series finale é a nítida diferença nas atmosferas das duas metades do episódio. Na primeira, o clima de tensão é muito bem executado, evidenciado pelo semblante sério dos personagens, além dos diálogos incertos e preocupados, que parecem jamais ter certeza do futuro. Por outro lado, a metade final evita elevar a tensão, permanecendo leve durante todo o tempo, mesmo quando Beckman é ameaçada de ser explodida. Essa abordagem é compreensível pelo fato de Chuck nunca ter sido uma série que conte com um clima muito carregado. Dessa forma, seria injusto se sua atmosfera característica não tivesse destaque em seus momentos finais.
Com certeza, grande mérito do episódio é forma como sua narrativa é estruturada, evitando tornar-se um exemplar avulso dentro do universo da série. Dessa forma, é interessante como Schwartz e Fedak sempre procuram encerrar seu trabalho como um ciclo. É aí que as referências à primeira temporada ganham grande importância, como se a dupla de roteiristas procurasse terminar tudo exatamente da forma que começou, mas com pessoas completamente diferentes do que eram há cinco anos. Repare como Ellie se preocupa com o irmão de forma muito semelhante à vista no piloto. Ou como Morgan se revela sonhador ao propor ao amigo que um beijo mágico poderia trazer as memórias de Sarah de volta. Até mesmo Casey chega a flertar com o coronel durão da NSA visto nos primeiros momentos da série. E, principalmente, como Chuck volta a contar com o Intersect, novamente de forma inesperada, dessa vez conscientemente. Após todo o destaque dado ao supercomputador, seria impensável que ele não terminasse na cabeça de seu dono original, até mesmo para compor a inteligente rima temática com que a série termina.
O que nos leva à cena final do episódio, a última de Chuck. Nesse momento, o roteiro consegue evocar a emoção do espectador de forma inteligente, em um dos raros momentos em que o uso dos flashbacks soa natural, mostrando que essa deveria ser uma das poucas vezes em que deveria ter sido utilizado. O diálogo entre Chuck e Sarah lembra muito o desespero que os dois tinham para ficar juntos, bem como a incerteza sobre seus sentimentos. E o desfecho, com o beijo pedido por Morgan, é inteligentíssimo ao evitar um final digno de contos de fadas, preferindo manter aquilo para a intimidade de seus personagens.
As memórias de Sarah voltaram? Pouco importa. A incerteza é exatamente o que deixa a série viva.
Obs: Foi um prazer acompanhar estes últimos passos de Chuck. Tenho orgulho de ter podido escrever as reviews dessa série, que se não é a favorita de todos, com certeza tem uma enorme base de fãs. Sentirei tanto dela quanto de escrever aqui. Agradeço a todos pela audiência e pela paciência. Até a próxima.

Série Maniacos

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