Baú das Séries: Prison Break - Líder Séries

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3 de dezembro de 2012

Baú das Séries: Prison Break

Uma droga potente e incrivelmente viciante acometeu milhões de pessoas em todo o globo a partir do ano de 2004. Ela foi produzida e distribuída pelo canal FOX, um conhecido vilão no universo das séries. Seus elementos eram completamente não-convencionais, mas o seu resultado foi tão surpreendente quanto às maiores apostas feitas por outros canais em seus próprios produtos.



Prison Break, assim como qualquer droga, começou como uma experiência alucinante e empolgante; infelizmente, também como qualquer droga, no fim teve o mesmo efeito trágico sobre seus “usuários”. Isso solicita uma análise profunda da nossa parte, e por isso mesmo lhes convido a embarcar nessa viagem (espero) pela última vez.
Como eu disse acima, tudo se iniciou em 2004, quando fomos apresentados aos irmãos Scofield e Burrows e suas histórias. No mundo real, contudo, a série foi elaborada em 2003 pelo Paul T. Scheuring. Prison Break foi até o seu primeiro trabalho para a TV. Antes de seguirmos, duas curiosidades: a) Quando ele apresentou seu roteiro a FOX pela primeira vez, o mesmo foi recusado inicialmente por ser muito diferente do que o público estava acostumado a ver, só ganhando uma chance após o sucesso de Lost pelo canal ABC; b) O projeto inicial era para uma minissérie, só que a grande audiência da série e as críticas acolhedoras da imprensa dadas a sua 1ª temporada, fez com que a FOX insistisse com mais uma temporada.
Sei que ao descobrir a segunda curiosidade dita no parágrafo anterior, deve haver muitos fãs dizendo agora: “WTF! Esse era o meu sonho.” Prison Break, pela primeira vez em minha vida, fez com que eu reclamasse da fúria por lucro dos canais, que acabam por destruir programas e projetos excelentes só para tentar ganhar alguns trocados a mais. Não tenho dúvidas que o grande erro da série foi não ter acabado em sua 1ª temporada, mas não foi assim.
O plot da série era o seguinte: o resgate numa prisão promovido por um homem para salvar a vida do seu irmão do corredor da morte. O tal homem era Michael Scofield (Wentworth Miller); o irmão, Lincoln Burrows (Dominic Purcell). O que definitivamente chamou a minha atenção (e a de muitas outras pessoas) foi, contudo, a genialidade do personagem principal. Scofield elaborou um plano (quase) perfeito de fuga da prisão onde o seu irmão se encontrava, usando para isso desde materiais simples, como um parafuso, a uma tatuagem de corpo inteiro, que não passava do mapa da prisão de forma mascarada. Além do detalhe de que ele foi o responsável pela reforma da prisão em questão, então, “sabe como é?” Vacilou, dançou.
A penitenciária Fox River foi o lar dos irmãos durante toda uma angustiante e claustrofóbica temporada. Lá conhecemos os mais variados tipos de indivíduos, como: Fernando Sucre (Amaury Nolasco), companheiro de cela de Scofield; Theodore ‘T-Bag’ Bagwell (Robert Knepper), o criminoso mais perigoso do lugar; John Abruzzi (Peter Stormare), chefão da máfia italiana;  Benjamin Miles “C-Note” Franklin (Rockmond Dunbar), um ladrão “acidental”; e Charles Westmoreland (Muse Watson), um senhor de idade que supostamente seria o famoso ladrão D.B. Cooper.
Eu poderia usar esse texto inteiro para falar apenas do quão bom foi acompanhar a 1ª temporada da série, mas infelizmente é preciso citar as (sofríveis) demais temporadas. Tudo que havia de interessante e viciante foi se perdendo pouco a pouco quanto mais seguíamos com os episódios das outras temporadas. Foi como assistir uma pessoa querida definhar na sua frente lentamente. Ou vão dizer que, assim como na 1ª temporada, vocês também ficavam ansiosos para assistir os próximos episódios?
Depois da enrolada e intricada fuga da prisão, o grupo se separou, tentou voltar a suas vidas normais, mas aí tivemos o crescimento em importância do elemento menos interessante na série: a malfadada Companhia; E foi ela que deu o tom da série em suas 3 últimas temporadas. Tivemos a perseguição aos fugitivos por parte do agente do FBI Alex Mahone (2ª temporada); a tentativa maluca e falha de recriar o clima da primeira temporada por meio da horrível prisão de Sona (3ª temporada); e, por fim, a busca por vingança promovida pelos restantes dos integrantes do grupo de fugitivos contra a Companhia (4ª temporada).
De erros feios cometidos na série, incluindo aí a ressurreição de dois personagens (Sarah e o agente Kellerman), nenhum supera o pior (e bastante previsível) dos acontecimentos: a morte de Scofield. Eu já pressentia que ele morreria no final dessa história toda desde a segunda temporada. Chamem de premonição ou perspicácia, mas acho que só se tratou de lógica. Lógica ruim e pessimista, claro.
Como se não bastasse que no último episódio fosse revelado que ele morreu, ainda tivemos o filme “The Final Break” (O Resgate Final), que detinha a infame missão de mostrar ao público como a morte do personagem teria ocorrido, já que no episódio final tivemos um salto de quatro anos no tempo.
Pausem aqui. Ok, agora respirem fundo, engulam a raiva e retomem a leitura.
Quem aqui como eu quase surtou de incredulidade ao ver o cara mais inteligente que conhecemos no mundo das séries morrer eletrocutado salvando a Sarah? Enfim, como afirmei lá no começo deste texto, foi neste ponto que todos os fãs da série tiveram a tal overdose fatal. Um final patético e constrangedor a uma série que tinha tudo para ser memorável e perfeita.

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