Review: The Walking Dead – 3×07: When the Dead Come Knocking - Líder Séries

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30 de novembro de 2012

Review: The Walking Dead – 3×07: When the Dead Come Knocking



No qual todos jogam vôlei de praia, bebem Tang e dão umas boas risadas.
Spoilers abaixo! 


The Walking Dead acaba encontrando quase sempre um problema que muitas séries do gênero demoram a esquecer. É aquele meio termo que não é nem enrolação, nem ação. Todas as peças continuam se movendo e coisas interessantes ainda acontecem. Você não sente que está perdendo tempo. Os episódios são bons.
Só que se você der um passo para trás e olhar a história toda como uma unidade… Tudo soa como uma preparação.  E quando digo tudo, me refiro a constante e quase irritante sensação de eterno prelúdio para grandes acontecimentos. Veja o massacre na prisão, por exemplo. Aquilo era para colocar Rick em uma lenta queda até o inferno e… É, pouco mudou. Os personagens citam as mortes e o terror mais com um ar de formalidade do que com trauma. Serviria como o início de uma The Walking Dead mais pesada ou, não sei, iniciaria qualquer coisa do tipo.  Só pilhou ainda mais nesse sentimento de que as temporadas são mais séries de preparações para eventos que nunca vão ocorrer. E caso ocorram, eles durarão e terão o impacto de um, dois episódios, no máximo. Soa injusto. Soa desproporcional.
Assim, apesar de bem executado, não me animo muito com o Grupo invadindo Woodbury. Muito pouco, muito tarde. Não me entendam mal: é um momento extremamente legal de assistir, fico tenso só de relembrar aquela sequência final que mostra e “conecta” todos os personagens ao que vai acontecer. Bem armado, para a série, apesar de ser baseado em algumas ações duvidosas por parte dos personagens.
(Michonne continua… Inconsistente. Não tenho a mínima ideia do que o roteiro quer que eu sinta sobre ela, como pessoa. Isso não é deliberado; é só escrita café com leite mesmo. Michonne faz o que funciona melhor para a trama. Ela muda de ideia para colocar Glenn ali, ou Maggie ali, ou Rick e Daryl em Woodbury. Ela está sendo mais instrumento que personagem, a esse ponto – o que é uma pena, já que Michonne tem potencial para chutar a bunda de todo mundo ali.)
Vale lembrar, antes de tudo, que essa invasão é apenas outro evento pontual. Terminando o episódio, parece que tudo vai explodir na cara de todo mundo, e essas sensações sempre são boas em drama como esses. Mas The Walking Dead muitas vezes não faz por merecê-las. E quando faz – como fez aqui, até – dura muito pouco para compensar o resto. Toda a interminável espera e as falhas e as abortadas preparações. Os finais são sempre bem feitos, só nunca são suficientes. E o furdunço todo é mais frustrante que não.
Fora isso, as histórias fechadas do episódio continuam o alto nível da temporada. Merle/Glenn e Governador/Maggie são combinações que assustam de modos bem diferentes, e olha que – apesar de zumbis e estômagos e tudo mais – acho bem difícil se assustar com The Walking Dead. Mas Merle é tão fora de si, e ao mesmo tempo tão sutilmente dissimulado, e o Governador é tão imprevisível em sua aparente bondade, quase invisível… Que a coisa toda anda como deveria, ou seja, cada vez mais cruel.
E na crueldade, Merle faz merda. Ele sempre acaba fazendo merda, de um jeito ou de outro. Chega a ser engraçado. E na crueldade o Governador começa a perceber como tornar a situação a seu favor. A tortura é menos um ataque e mais uma declaração para Maggie e Glenn, dizendo todas as coisas que ele “poderia” fazer e certamente faria se fosse forçado a tal ponto.
Fico incomodado um pouco por ter sido logo Maggie quem entregou a localização da prisão. A série é melhor que isso, acho. Mas ainda assim cada cena tem uma batida meia estranha que curti ver na série. The Walking Dead está acostumada com grandes cenas de ação, mas faz ação claustrofóbica bem melhor, às vezes. Glenn tentando se salvar de um zumbi enquanto atado a uma cadeira começa meio engraçado e termina bem devastador e bem certo como uma das melhores cenas de “ação” da temporada. Principalmente por ser uma das mais necessárias. É uma das raras cenas desse tipo em TWD que mostra o desenvolvimento de um dos personagens através de como ele age e não pelo que ele fala.
“When the Dead Come Knocking” serve como ponte para o midseason finale, mas o momento que eu mais gosto nele não se conecta com quase mais nada no episódio.
Andrea mata tempo com Milton em um experimento e o resultado é inconclusivo. Mas tem uma pausa depois dele, quando os dois veem o resultado da transformação do velho e os dois se olham. E essa pausa vai bem além de qualquer tempo, e dá lugar para um espaço bem grande entre aquelas duas pessoas tão diferentes, entre a vida e a morte, entre quem sobreviveu e quem apenas ficou. The Walking Dead deveria viver nesse espaço, mas continua se dando bem fora e ao redor dele. Continua pontual, sim. Frustrante, sim. Mas muito, muito bem.
SérieManiacos.com.br

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