Review: The Walking Dead – 3×05: Say the Word - Líder Séries

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16 de novembro de 2012

Review: The Walking Dead – 3×05: Say the Word



Com o perdão do trocadilho, mas é “tempo de recolher os pedaços”.
Spoilers Abaixo:
A despeito de todas as dicas e tendo ciência de que era um acontecimento marcante dos quadrinhos, a morte de Lori me pegou de surpresa. Digo isso porque após seu piloto memorável, “The Walking Dead” tomou rumos questionáveis durante o restante de sua 1ª temporada e metade de sua 2ª. Mesmo com o banho de sangue promovido no último season finalle, julguei que os produtores não seriam capazes de cometer a tamanha audácia de matar a sua protagonista. Ledo e delicioso engano.
Por mais que a popularidade da personagem beirasse a inexistência, não podemos esquecer que Lori foi a grande responsável por toda a motivação de Rick. A princípio, foi o desejo de reencontrá-la, em seguida a necessidade de lutar pela sobrevivência de sua família, sem deixar de citar sua responsabilidade no embate entre Rick e Shane, que culminou na morte deste último.
Estou percorrendo todo esse caminho porque quero acalmar os ânimos de quem achou cansativa a reação de Rick ao falecimento de sua esposa. Mesmo vivendo num mundo pós-apocalíptico e já acostumado com a morte de muitas pessoas a seu redor, o ex-policial nunca teve que lidar com a perda de alguém tão próximo. Apesar da crise em seu casamento, toda a sua reação foi natural e esperada. Não dá para simplesmente eliminar uma personagem odiada e seguir vivendo como se nada tivesse acontecido.
Entrar no presídio após receber a notícia, cumpre um ritual que todos nós passaremos em algum momento de nossas vidas: o de ver o ente querido morto e enterrá-lo. Lembre-se dos dramas frequentemente estampados nos noticiários, sobre pessoas que vivem angustiados por possuírem um familiar desaparecido. É o que culminou na expressão iniciada pelo apóstolo Tomé: ver para crer!
Assim, além de sua reação natural, o extermínio de zumbis, as bolachas dadas em Gleen e a vingança contra o zumbi-python, foram peças que integraram o seu ritual de luto. Mais que isso: culminaram em um dos cliffhanger mais perturbadores já apresentados pela série, um simples telefone tocando.
É impressionante notar a evolução de “The Walking Dead” ao longo de suas temporadas. Sua equipe criativa percebeu que para ser legal, não é preciso colocar zumbis estranhos no poço ou explodir excelentes maquetes de isopor. Basta um singelo telefone, tocando no meio de um ambiente inóspito.
Outra prova dessa evolução é o sumiço de Carol. Confesso que tive medo de que passassem longos seis episódios numa jornada em sua busca para aparecer na cela ao lado. Aparentemente, não é o que vai acontecer. Seu túmulo já foi feito e deve conter o lenço que deixou cair antes de desaparecer. E digo mais: o efeito de um aparecimento repentino vai causar mais impacto.
Ainda no universo da prisão de “The Walking Dead”, não posso deixar de citar mamãe Daryl correndo atrás dos leites das crianças. Após ser separado do irmão, o personagem foi humanizado e conquistou a audiência. Seus momentos com a recém-nascida foram ternos e também engraçados, principalmente durante a vasta possibilidade de nomes apresentada para a menina.
Já no universo paralelo, a série tem buscado referências políticas para construir o ambiente de domínio do governador. Quero esclarecer que (ainda) não sou um leitor dos quadrinhos e, por isso, meu conhecimento se resume ao que amigos e outros fãs me comentam. Para você ter noção, cheguei a pensar que Philip (será mesmo esse o seu nome?) fosse o Governador da prisão quando li as primeiras notícias sobre o personagem antes de a temporada começar. Por isso, estou me propondo a comentar tendo como base apenas o apresentado na versão televisiva.
A primeira delas nos remete à Roma antiga, quando foi implantada por Otávio Augusto (o imperador, não o ator) a política do “pão e circo”. Em poucas palavras, isso se constituía em oferecer alimento e diversão à população carente após a escravidão ter elevado o índice de desempregados. O ‘pão’ era distribuído gratuitamente em grandes estádios (o Coliseu é o mais famoso), onde eram produzidos combates sangrentos entre gladiadores.
É exatamente o que o Governador faz em sua Woodburry: fornece alimentação, segurança e cuidados médicos, aliados a uma boa dose de entretenimento, seja pela exibição pública de mordedores abatidos ou pela concretização da comparação com os gladiadores, num combate em formato de arena. E mais, ele prova que é capaz de moldar essa opinião pública, ao revelar para Andrea que os zumbis tiveram seus dentes removidos.
O Governador repete também a lógica defendida por Maquiavel em sua obra “O Príncipe”. Nela, o autor defende que sendo temido por seus súditos, o príncipe é capaz de evitar seu ódio, mesmo não tendo necessariamente o seu amor. Além disso, ele precisa se preocupar em “parecer bom” e não com o “ser bom”.
Assim, “The Walking Dead” está lidando com uma das qualidades que eu mais aprecio no ser humano: a sutileza. Estamos vendo uma aula de política sem nem ao menos termos essa consciência ou a série se propor a isso.
Quem acha que está conhecendo a verdadeira face do Governador é Michonne, que deixou Woodburry após desistir de tentar convencer Andrea a fazer o mesmo. Pela primeira vez nessa temporada, pude ver a mulata em ação, mostrando o que é capaz de fazer com uma espada forjada em Aço Valiriano. Sua peregrinação nos backstages da cidade, foram essenciais para a explicação de como os torneios são realizados, além de terem servido para mostrar um lado mais humano da controversa personalidade do Governador. Sua filha, Penny, tornou-se uma mordedora, mas ainda é mantida “viva” por ele. Esse lado paterno o aproximou (pasmem!) do que vimos Hershel fazendo na temporada passada. Talvez, a busca por uma cura seja o principal objetivo das pesquisas científicas autorizadas por ele.
Vindo após um episódio tão frenético como o anterior, o ritmo de “Say the Word” acaba parecendo mais lento do que de fato foi. Porém, preciso ressaltar que a falta de ação foi compensada com tensão, indo desde a situações previsíveis como a envolvendo o armário na creche, como a cena em que Michonne deixa Woodburry. E aqui é o cara que não leu os quadrinhos falando novamente. Fiquei perturbado com a possibilidade de ela levar um tiro. “The Walking Dead” finalmente se tornou uma série sobre pessoas. Mas agora, é com pessoas que a gente se importa.
Fonte: seriemaniacos.com.br

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