Review: The Mentalist – 5×08: Red Sails in the Sunset - Líder Séries

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27 de novembro de 2012

Review: The Mentalist – 5×08: Red Sails in the Sunset



The Mentalist sendo o que sempre poderia ter sido.
Spoilers Abaixo:
A objetividade da quinta temporada de The Mentalist chega a ser espantosa. Não pelo fato de a série estar sendo ousada como nenhuma outra, mas por apresentar uma mudança brusca de visão por parte de seu criador, Bruno Heller. Na verdade, essa nova característica mostra ainda mais os motivos do fracasso dos três anos anteriores como um todo. Agora, o que Heller procura fazer é transformar a série em tudo que ela poderia ter sido, mesmo que não seja nada diferente de outros bons procedurais. Prova dessa nova filosofia do showrunner é este Red Sails in the Sunset, um episódio que poderia ter sido guardado para o fim da temporada ou para a véspera de um hiato, mas é acertadamente posicionado nesse momento.
Escrito por Daniel Cerone (de Devil’s Cherry, o melhor episódio da temporada até aqui) e dirigido por Simon Baker, o episódio trata da tentativa de resgate de Lorelei por Jane, que ainda tenta sem sucesso a ajuda de Bret Stiles para atingir seu objetivo. Ainda assim, seu plano é levado adiante, e ele consegue livrar a moça da prisão, simulando o próprio sequestro para que Lisbon ou qualquer integrante da lei não desconfie de seu envolvimento na fuga. Assim, os dois tem a oportunidade de se conectar e se conhecerem melhor, trazendo à tona um importante segredo da garota.
Os primeiros minutos de Red Sails in the Sunset são o único equívoco do episódio. Trazer Stiles para dispensá-lo tão cedo acaba tornando a cena completamente descartável, ainda que tenha como intenção salientar a insanidade da obsessão de Jane pela fuga de Lorelei. Há tantas maneiras de tornar isso evidente que se torna estranho trazer de volta um personagem forte e importante para algo tão banal. Pior que isso, há a possibilidade de que o favor devido acabe sendo desperdiçado por conta desse diálogo dentro do cinema. Além disso, Stiles sequer era um elemento necessário no plano de Jane, que não conta com nada que sugira alguém com o poder de persuasão do líder religioso.
Felizmente, após esse momento, o episódio só cresce. Principalmente pelo fato de aproveitar seu arco principal na totalidade, sem precisar da existência de um caso da semana como apoio. São pouquíssimas as oportunidades em que The Mentalist abandonou sua fórmula padrão para dar total foco em outra trama. Para isso, Cerone não deixa de lado a estrutura narrativa usual da série, transformando o processo de descobrimento do passado de Lorelei em uma investigação comum. Dessa forma, Red Sails in the Sunset não soa como um ponto fora da curva, mas como um exemplar bem executado do que a série está acostumada a fazer. Decisão que se mostra acertada, uma vez que, no fundo, o episódio não passa disso.
Ao encontro da proposta do episódio, a direção de Baker se mostra competente em diversos aspectos, mas o mais evidente deles é na maneira como conduz os diálogos de seu próprio personagem, exibindo total controle sobre sua própria série, como o que acontece nas importantes conversas entre Jane e Lorelei, sempre eficazes em conferir um tom de urgência e tensão entre os dois personagens. Ou quando a parceira de Red John é colocada em posição escura e assustadora, evidenciando o grande desconhecimento sobre a natureza da garota.
Natureza esta que é finalmente revelada por The Mentalist, em uma bem sucedida tentativa de humanizar a personagem. É verdade que a história envolvendo duas irmãs que se reencontram acaba por exagerar no melodrama, mas a possibilidade de uma delas ter sido morta pelo próprio Red John causa um interessante conflito em Lorelei, o que provavelmente trará um interessante reforço para Jane, que certamente fará um bem considerável para esse arco.
Mais do que um episódio focado no passado de Lorelei, Red Sails in the Sunset trabalha com grande competência seu protagonista em duas vertentes. A primeira, mostrando sua necessidade em agir sozinho, não confiando em absolutamente ninguém, nem mesmo Lisbon. O que se torna irônico quando a agente demonstra certeza de que seu parceiro não faria nada tão errado. O ponto em que isso é melhor evidenciado é quando Lisbon tenta investigar o carro de Jane, quando o espectador já sabe do que realmente aconteceu, criando uma ironia dramática competente em estabelecer o contraste entre as duas visões.
Além de mostrar um Jane afastado da CBI, o episódio ainda mostra o personagem levando suas manipulações a um outro nível, mais físico e chocante, como quando simula um acidente de carro para permitir que Lorelei fuja sem que ninguém (exceto Lisbon) desconfie da verdade. Até mesmo em suas armações mais simples as intenções se mostram mais desonestas e anti-éticas. O maior exemplo disso é quando deliberadamente pergunta ao guarda se o mesmo possui uma arma, fato que é relembrado apenas alguns minutos depois, evidenciando que a pergunta era proposital.
O que certamente aproxima Jane de seu nêmesis, Red John. Com o passar dos anos, o espectador já perceber que o protagonista tem muito de seu maior inimigo, mas o fato de Lorelei dizer isso em voz alta claramente incomoda Jane, ainda que ele saiba ser verdade. Aliás, Red Sails in the Sunsetse esforça para passar essa mensagem, tentando mostrar que, a exemplo do serial killer, Jane também tem a capacidade de sempre estar um passo a frente da polícia.
Essa aproximação se conclui com a afirmação de que Jane de fato chegou a conhecer Red John. Para o espectador isso não chega a mudar muita coisa, já não significa que nós o conheçamos, mas ao menos serve para descartar Kirkland como o assassino, já que Jane parece genuinamente surpreso com a presença do agente, demonstrando não fazer ideia de quem seja (a não ser que não se lembre). É curioso que The Mentalist tenha decidido por descartá-lo tão cedo e de forma tão simples, sem fazer um imenso alarde em torno do personagem.
Sinal de que The Mentalist finalmente evoluiu. E quem agradece é o público.

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