Review: The Mentalist – 5×06/07: Cherry Picked/If It Bleeds, It Leads - Líder Séries

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18 de novembro de 2012

Review: The Mentalist – 5×06/07: Cherry Picked/If It Bleeds, It Leads



Após sete episódios, já podemos dizer que The Mentalist realmente mudou seu foco.
Spoilers Abaixo:
5×06: Cherry Picked
Para The Mentalist, não é natural tratar seus episódios como uma sequência lógica de fatos, consequência da proposta da série em trazer poucas tramas contínuas e muitas pontuais. Por esse motivo, quando Cherry Picked mostra sua pretensão em evoluir seu arco central pela quarta vez em seis episódios, a ideia poderia ser recebida com bastante surpresa. Mas apenas confirma a tendência de The Mentalist de se reinventar nesta quinta temporada, o que é extremamente saudável tanto para o roteiro da série quanto para sua estrutura, que amadurece bastante (ainda que tardiamente). Assim, ainda que Cherry Picked não traga a excelência de Red Dawn, mostra uma atmosfera que The Mentalist não mostrava há tempos.
É sintomático que o episódio seja o pior da quinta temporada até aqui. Um bom sinal de que The Mentalist mostra sua melhor sequência desde seu primeiro ano. Na verdade, é interessante como a mudança de ares proposta por Bruno Heller se revela como a decisão mais acertada do showrunner, que cada vez passa uma maior impressão de ser de fato a temporada final da série, pelo simples motivo de caminhar com tramas em uma velocidade jamais vista, o que seria incompatível com a antiga proposta de evoluir seus arcos de forma cadenciada, cozinhando as histórias até que elas possam ser, finalmente, encerradas juntamente com o fim da série, uma vez que é claro que The Mentalist não sobreviveria sem este arco central.
Por esse ângulo, fica evidente a atual intenção da série de mostrar um Patrick Jane desmotivado em trabalhar na mesma rotina dos últimos anos. Mais próximo do que nunca de Red John, o personagem se mostra impaciente, querendo resolver os casos logo, para voltar a se focar em procurar Lorelei, como mostram as várias cenas em que ele dá um palpite curto e raso, sem grandes raciocínios, apenas para que o sequestro seja resolvido rapidamente. Isso contrasta com os planos mirabolantes elaborados por ele, ou mesmo com as situações em que ele nitidamente se diverte com o andamento das coisas, como ocorrido até o fatídico desaparecimento da cúmplice do serial killer.
Cherry Picked vai além de simplesmente mostrar a atual condição de seu protagonista. Trazendo um caso da semana ligeiramente diferente do que o espectador está acostumado, The Mentalist segue sua empreitada em buscar se diferenciar, evitando cair na mesmice que sua quarta temporada cansou de mostrar. Aqui, o sequestro traz situações as quais a equipe da CBI não está acostumada, como o fato de ter de lidar com sequestradores. Até mesmo Jane mostra sua inexperiência com o cenário, forçando os criminosos até seu limite de maneira terrivelmente perigosa. Aí, na verdade, está uma falha do episódio, que novamente confere ao seu protagonista um poder muito grande sobre bandidos, esquecendo-se da delicada situação para mais uma vez provar a infalibilidade do mesmo. Seria interessantíssimo tanto para o personagem quanto para a história se Jane cometesse algum engano nesse caso, que daria um forte sinal da displicência do mesmo, além de não passar o forte sentimento de conveniência na trama.
Mesmo assim, o episódio conduz sua narrativa de maneira competente, gradualmente revelando mais detalhes sobre o crime, sem nenhum atropelo e sem a necessidade de inserir uma dúzia de suspeitos para em seguida descartá-los. Pelo contrário, o roteiro de David Appelbaum se concentra mais em mostrar com competência a atmosfera de tensão de um sequestro, que passa pela fria figura de Isaac (um dos poucos personagens pontuais em que The Mentalist de fato acerta), que contribui com a tensão da trama, semeando conflitos e inserindo dificuldades na solução do caso.
Por isso, é um desperdício que o caso se encerre de forma tão rasa. A ideia de mostrar o culpado antes que Jane o descubra é interessante, mas o roteiro logo a descarta insinuando que Jane já tinha clara noção de que Sloan é a verdadeira culpada, baseando-se em uma teoria absolutamente simplória e que só funciona por extrema coincidência, o que foge das espertas maneiras encontradas pelos personagens nos últimos episódios e na série em geral. Além disso, Cherry Picked jamais se preocupa em construir algo em torno da investigação, encerrando-a repentinamente e com um resultado sem nenhum fundamento prático.
Por outro lado, a história paralela do episódio, que busca evoluir o arco de Red John, funciona bem principalmente por trazer um elemento de tensão a mais para a trama e mostrar a imensa determinação de Jane em finalmente encontrar seu nêmesis. Além disso, embora o melodrama de Walter não seja estritamente necessário, é interessante ver que The Mentalist sai de um episódio de meio de temporada bastante à frente de onde entrou, evitando o sentimento de giros em círculos encontrado nas últimas três temporadas.
Ainda que não brilhe como Red Dawn ou traga um caso da semana bem construído como os de outros episódios na temporada, Cherry Picked se torna um elemento importante por consolidar a nova visão de Heller, além de mostrar um inédito compromisso com a continuidade de suas tramas. Assim, esta quinta temporada de The Mentalist se mostra coesa como nunca.
5×07: If It Bleeds, It Leads
Não há como negar que a quinta temporada de The Mentalist seja consideravelmente diferente das demais, ainda que a série nunca tenha perdido sua essência ou abandonado sua proposta de ser um procedural policial típico. Em sete episódios, os roteiristas se mostram criativos em bagunçar sua fórmula com alterações aqui e ali, evitando com grande competência repetir arcos e estruturas. Essa característica é uma das mais importantes no visível aumento de qualidade na série, e atua como elemento vital no plano de Bruno Heller para construir sua temporada. Mas o principal motivo de The Mentalist poder se considerada uma série revitalizada é o fato de seus arcos principais terem ganho grande relevância e desenvolvimento. É por isso que If It Bleeds, It Leads é importantíssimo para o futuro da série.
É verdade que o episódio trata do arco principal por pouco tempo, até menos que Cherry Picked. No entanto, as poucas investidas do roteiro de Eoghan Mahony na trama são precisas e relevantes, trazendo para o espectador informações em uma velocidade que ele não está acostumado em The Mentalist. Afinal, é raríssimo que a série introduza algum cliffhanger e o aproveite já o episódio seguinte, e isso tem se tornado fato corriqueiro nesta quinta temporada. As idas de Jane à cadeia onde Walter diz ter levado Lorelei, por exemplo, aproximam o protagonista da cúmplice de Red John e traz o público para próximo da trama, ao invés de tratá-la com a distância habitual da série. Por esse motivo, a sensação é de que há alguma evolução, ainda que ela seja bem pequena.
Mais do que isso, a aparição de Bob Kirkland, já no final do episódio, é repentina e não acrescenta nada ao episódio em si, mas é extremamente impactante e faz com que Red Dawn ganhe continuidade muito antes do esperado, já que The Mentalist não costuma fazer grandes revelações tão cedo. Ainda é impossível afirmar se Kirkland é ou não Red John (mais provável que não), mas a decisão de trazê-lo já para o presente é o que a série precisava para fazer sua trama principal evoluir de forma mais aprofundada e sem grandes floreios. Aliás, é admirável que Heller não esteja se atrapalhando ao conduzir seu arco de forma mais ágil. Seria normal um showrunner pouco acostumado a conferir grande continuidade às suas histórias tornar seu arco atropelado e excessivamente apressado.
Heller não apenas se sai bem em sua nova investida como, através do roteiro de Mahony, encontra uma inteligente maneira de criar uma deixa para a entrada de Kirkland, utilizando o fato de Volker ter escapado da justiça como escape. Além disso, essa abordagem traz Lisbon diretamente para dentro da conspiração, tornando a agente mais que uma simples simpatizante à causa de Jane.
Aliás, Lisbon tem participação importante em If It Bleeds, It Leads, sendo a principal figura da investigação, já que Jane se mostra cada vez mais desmotivado em seguir sua rotina quando está tão próximo de seu objetivo. E aqui o episódio faz exatamente o que Cherry Picked se nega a fazer: criar um fracasso para a CBI por conta da ausência de sua principal ferramenta. É verdade que Ed Hunt é capturado após uma cena precisa em criar tensão, um mérito de John F. Showalter, diretor do episódio, que cria um belo ambiente claustrofóbico para que o espectador sinta o ambiente da manipulação de Jane. No entanto, o verdadeiro culpado pelo crime e pelo assassinato posterior de Amanda, é Volker, e este escapa graças ao fato do consultor jamais ter se envolvido como de costume. A forma como isso é construído é extremamente competente, já que ressalta a dependência da CBI em Jane, mas sem evidenciar que Lisbon é incompetente. Pelo contrário, é ela quem descobre quase tudo no caso, inclusive que Amanda é o elo fraco de Volker.
Sendo assim, If It Bleeds, It Leads traz situações cruciais para o andamento da trama principal e, mesmo que erre em coisas inimagináveis, se torna mais um exemplar relevante para o restante da temporada. Dessa forma, o episódio diminui um pouco o nível deste quinto ano, mas continua seguindo a mesma linha de raciocínio de seus seis antecessores.
Série Maniacos

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