Review: The Mentalist – 5×05: Red Dawn - Líder Séries

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4 de novembro de 2012

Review: The Mentalist – 5×05: Red Dawn




Há algo estranho em The Mentalist.
Spoilers Abaixo:
Chega a ser curioso que The Mentalist tenha levado cinco anos para mostrar como Patrick Jane se tornou um importante colaborador da CBI, já que esse tipo de história é praticamente obrigatória a toda série policial, e, considerando que The Mentalist é um grande clichê do gênero, é de se estranhar que nunca tivesse investido nesse tipo de trama. Por isso, é de se admirar que Bruno Heller tenha segurado essa ideia por tanto tempo, para entregá-la ao espectador no momento certo, evitando o desperdício de uma história importante para seu protagonista. Assim, Red Dawn coroa este ótimo princípio de temporada da série, que se desenha cada vez mais como a última.
Escrito como um imenso flashback, o episódio se inicia com Jane procurando Lisbon pela primeira vez, atrás dos arquivos do caso de Red John. Enquanto isso, a CBI investiga a morte de Winston Dellinger, filho de um juiz e, portanto, mais apto a ameaças à vida. A agência conta com a ajuda inusitada de Jane na investigação, já que Virgil Minelli quer agradá-lo para que ele esqueça o soco que tomou do Detetive Hannigan. O viúvo se mostra então bastante confortável em ajudar a polícia, usando para isso suas incríveis habilidades de percepção e manipulação.
É verdade que Red Dawn não tem exatamente uma razão para sua existência, e soa consideravelmente aleatório pelo motivo de, em nenhum momento, a série sugerir a necessidade de um flashback desse tipo. Assim, é inevitável que o episódio se transforme em um devaneio de Heller sem um propósito claro, como se o showrunner procurasse desesperadamente uma maneira de criar histórias com aspectos diferentes para, enfim, evitar o sentimento de repetitividade quase inerente à série. Nesse aspecto, Red Dawn surge mais como uma firula narrativa do que como algo com visível utilidade.
Mas Heller e Tom Szentgyorgyi, roteirista do episódio, tomam uma inteligente decisão que torna o episódio muito menos avulso e confere  certa relevância a ele. Ao invés de abordar a entrada de Jane na CBI apenas como uma forma diferente de contar a mesma história, o roteiro aproveita para estabelecer importantes paralelos entre duas versões completamente distintas do mesmo personagem. Além disso, The Mentalist toma, em seus minutos finais, passos importantes que a série não costuma tomar logo no quinto episódio de suas temporadas, sugerindo que ela pode estar caminhando para o desfecho de sua trama principal e, possivelmente, da série.
Para isso, Red Dawn se preocupa em introduzir um Jane fragilizado pelo assassinato de sua família, fato que é sugerido não apenas por seu semblante descuidado mas também pela amargura sempre presente em sua voz (em um bom trabalho de construção feito por Simon Baker), ou pela nítida falta de confiança sofrida pelo personagem. Aliás, o contraste com o Jane dos tempos atuais é tão grande que o espectador tende a imediatamente vislumbrar todo o processo de transição de um para o outro, como se a série sequer precisasse contar essa história. Da mesma forma, a empatia do público com Jane permite que desconfiemos de suas reais intenções na cena em que provoca Hannigan até ser atacado fisicamente. Esse conhecimento prévio gera uma interessante ironia dramática, que o episódio explora sutilmente sem precisar escancarar que Jane, de fato, provocara Hannigan intencionalmente.
O episódio não se concentra apenas em explorar a personalidade antiga de Jane, mas também em evidenciar a manutenção de certos vícios, como, por exemplo, a obsessão por Red John, que é citada exaustivamente aqui. Dessa forma, a série consegue deixar claro (se é que havia alguma dúvida) que o protagonista tem extrema dificuldade em abandonar sua perseguição para finalmente seguir sua vida. Até mesmo Lisbon, que sabemos que se tornará uma grande apoiadora dessa tentativa de vingança, pede encarecidamente para que Jane siga sua vida, chegando a prometer algo imaginando não ter de cumprir. E quando cumpre, olha para o viúvo com um inconfundível ar de pena, como se presenciasse algo perturbadoramente patético.
Seguindo nessa mesma linha de raciocínio, Red Dawn revela uma informação até então desconhecida pelo espectador. O fato de Jane ter sido internado em uma instituição mental certamente será crucial para o andamento do arco principal da série. E, embora The Mentalist tenha ignorado esse acontecimento por cinco anos e que isso incomode bastante, é totalmente coerente com a forma e estado com que Jane procura a CBI no começo do episódio. Além disso, o roteiro mostra, de maneira calma e sem procurar chocar, o início da interferência do FBI no caso de Red John, além de comprovar a existência desse canal de informações do serial killer, que pode ter finalmente aparecido frontalmente (não creio tanto nessa possibilidade, já que The Mentalist parece sempre determinada a nos enganar).
Szentgyorgyi não apenas explora os conceitos principais do episódio com muita competência, mas também se diverte ao criar o ambiente da CBI de forma ligeiramente diferente da que o espectador está acostumado, incluindo pequenos gags que naturalmente atraem a atenção do público, como a ausência de Van Pelt, a presença de Minelli e o fato de Lisbon ter uma sala improvisada. E, aos poucos, inicia a transição do ambiente, em uma inteligente maneira de estabelecer a distância temporal das situações sem a necessidade de criar um episódio em que Jane relembra esse caso, por exemplo.
Diante dessas propostas, o caso da semana perde importância em relação à sua história, mas sua existência é perfeitamente justificada por conta das atitudes de Jane para resolvê-lo. Por exemplo, note como as armações do futuro consultor soam muito mais sinceras, como se ele realmente se empolgasse com aquilo. Além disso, repare em seu sorriso genuíno ao encerrar o caso com êxito, o que sugere o motivo de ele ter continuado trabalhando para a CBI: encontrar uma diversão após as mortes de sua esposa e filha.
É intrigante que The Mentalist esteja mantendo uma temporada em um nível tão bom, após três anos lutando contra uma irritante irregularidade. Além disso, o fato de a série estar investindo de forma mais honesta em sua trama principal mostra que Heller realmente procura criar algo diferente. Se continuar assim, caso The Mentalist de fato se encerre nessa temporada, terminará muito melhor do que se imaginava.

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