Review: The Mentalist – 5×03: Not One Red Cent - Líder Séries

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20 de outubro de 2012

Review: The Mentalist – 5×03: Not One Red Cent



É possível uma série ainda surpreender em sua quinta temporada?
Spoilers Abaixo:
A quinta temporada de uma série geralmente começa a evidenciar os sinais de desgaste da fórmula, quando as principais qualidades passam a perder força diante do desleixo do roteiro e dos problemas que parecem se multiplicar. Esse é um fenômeno perfeitamente natural, já que criatividade não é um recurso infinito e os showrunners geralmente já estão acomodados com a situação de sua produção, apresentando uma ligeira tendência à teimosia em elementos já consagrados. No entanto, existem exceções, e estas refutam o argumento de que toda série tem um caminho lógico pré-definido. É o que acontece com a atual temporada de The Mentalist, que não apenas mostra que a série pode apresentar uma criatividade escondida durante os últimos dois anos, mas que sua fórmula ainda possui lenha para queimar, como vemos no ótimo Not One Red Cent.
O episódio trata do misterioso assassinato de Ernie Wright, que trabalhava em um banco assaltado por um grupo já famoso por roubos a outras instituições financeiras. Curiosamente, Jane se encontrava por perto do local, e logo se encontra com o restante da equipe da CBI, que luta pela jurisdição do crime com o FBI do Agente Mancini. Evidentemente, os primeiros suspeitos são os próprios assaltantes, mas algumas reviravoltas provam que o assassinato pode ter sido premeditado. Enquanto isso, Jane se envolve em uma inusitada aposta com Van Pelt, utilizando recursos pouco éticos para ganhar.
É curioso que The Mentalist apresente um episódio como esse nesse momento. Primeiramente, porque a série não parecia capaz de reinventar sua fórmula a essa altura, tendendo a apresentar a mesma preguiça criativa que predominou durante as duas últimas temporadas, principalmente em episódios “comuns”. Também porque a opção por uma história como a de Not One Red Centnão condiz com a maneira que a série costuma estruturar suas temporadas. Geralmente, após dois capítulos significativos como The Crimson Ticket Devil’s Cherry, The Mentalist abandona absolutamente tudo que apresentou para investir em algo rigidamente padronizado. Mas aqui o que se vê é uma pequena fuga a esse comportamento robotizado, distorcendo a forma sem prejudicar o conteúdo.
Pelo contrário, a mudança estrutural no episódio contribui positivamente para que o roteiro deNot One Red Cent vingue sem jamais soar repetitivo. Ainda que simples, a história, a exemplo do ocorrido em Devil’s Cherry, não procura chocar o espectador com uma revelação repentina, e sim se aproveitar de seu protagonista para criar uma experiência de entretenimento bastante eficaz. Para isso, a estrutura narrativa do roteiro de Ken Woodruff tem grande responsabilidade. Abordando um incomum ângulo que mostra a perspectiva de um dos bandidos, ele tira ligeiramente o foco de Jane como se procurasse estabelecer um clima de rivalidade entre os dois personagens. E ainda que ele seja abandonado durante parte do episódio, a eficiente cena em que Jane se mostra determinado em prendê-lo desperta o interesse do espectador no desfecho da situação.
O que torna a revelação de que o assassinato é independente do assalto ao bando ligeiramente óbvia, principalmente pelo fato de The Mentalist raramente revelar o culpado tão cedo. No entanto, o que poderia ser uma trapaça por parte do roteiro, fazendo com que dois crimes sem qualquer relação coincidam de forma exata, se revela de fato uma decisão esperta, já que Woodruff opta por manter uma forte conexão entre os casos, evitando uma incômoda conveniência por parte da série. E se o desfecho do assassinato de Ernie Wright se mostra um pouco incoerente, já que o choro de Nancy no início do episódio soa genuíno demais para uma pessoa que acaba de matar seu noivo, esse sacrifício torna os dois acontecimentos coesos e atraentes.
Por sinal, o final de Not One Red Cent é bastante intrigante por trazer um Jane bem diferente do que nos acostumamos a ver nos últimos anos. O personagem, que nas temporadas anteriores se mostrava apenas prepotente e sem grande embasamento por trás de suas teorias, volta a trazer inteligência para a série, resolvendo o caso a partir de situações vistas por ele, e mostradas ao espectador, durante o episódio, como a visita dele ao guarda-roupas da vítima, fundamental para a solução do caso. É interessante quando The Mentalist nos permite acompanhar esse processo pelo simples motivo de tornar todo o restante mais crível. Por exemplo, se o roteiro não investisse nesse tipo de cena, seria impossível não achar repentina a revelação da culpa de Nancy. E se por vezes o excesso de didatismo prejudica uma história, em The Mentalist o efeito é oposto, já que evita que a acurácia de Jane em seus palpites se torne axiomática.
Da mesma forma, a aposta de Jane com Van Pelt pode não acrescentar muito à trama, mas adiciona um tempero ao episódio que a série não via desde sua primeira temporada, quando as habilidades de Jane eram tratadas como algo misterioso e intrigante. Aliás, não é por acaso que seja justamente a ruiva que desperta novamente esse sentimento, já que sempre foi a personagem mais curiosa e interessada nesse tipo de coisas. É verdade que a função dela tem se limitado a apenas situações como essa, mas quando essa abordagem é bem executada não há o que reclamar.
Mas todas essas características não tornam Not One Red Cent perfeito. Estranhamente, Woodruff investe em certos elementos inexplicáveis, como a troca de sapatos de Jane, completamente desnecessária. Ou mesmo a briga entre CBI e FBI, que se em The Crimson Ticket acrescentava certo tempero às investigações, aqui parece totalmente deslocada e sem propósito, bem como a participação de Lisbon na mesa de pôquer, em uma desesperada tentativa do roteiro de dar importância à personagem. Se todos esses detalhes fossem descartados, sobraria mais tempo para que a série investisse em maiores doses dos interessantes elementos descritos acima, o que contribuiria para que o episódio fosse ainda melhor.
Ainda assim, é inegável que The Mentalist esteja passando por uma fase impensável por quem acompanhou a quarta temporada da série. Há tempos não vemos uma sequência de três bons e diferentes episódios. O surpreendente é que, até agora, The Mentalist não apresentou uma história padronizada sequer. O que permite dizer que a quinta temporada vai muito melhor que o esperado.

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