Review: Homeland – 2×04: New Car Smell - Líder Séries

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24 de outubro de 2012

Review: Homeland – 2×04: New Car Smell



No meio do caminho tinha uma pedra…
Spoilers Abaixo:
Semana passada o reviewer que vos escreve ganhou mais alguns pedidos de maldição. A razão: as críticas ao episódio filler de Homeland. Justificados estamos todos nós, em nossas motivações. Vocês, advogando a favor da série, e eu, defendendo meus pontos de vista. Não tem porque entrar num juízo de valor sobre esse feedback, porque no fim das contas, esse é um espaço livre. No entanto, cabe explicar o que alguns de vocês chamam de “má vontade com a série”.
Existem poucas, muito poucas séries unânimes. São aquelas que têm total respeito da crítica, e uma imensa proteção de sua base de fãs. Geralmente são dramas, de mais de 45 minutos, de época em alguns casos, e com temporadas curtas. Essas séries têm ideias muito fundamentadas e sempre serão mais competentes que muita coisa que vemos por aí. No entanto, na mesma proporção em que são ótimas, geram mais expectativas.
O fã, por definição, não tem obrigação nenhuma de dar atenção a aspectos negativos. O reviewer, no entanto, tem. Não existe – e admitamos isso – nenhum produto impassível de erros. Em algum momento, em algum episódio, de alguma temporada, um engano será cometido. A voz do fã, quase sempre, grita que em produções assim não há relevância nos erros. Eu já acho que o erro dentro da pretensa perfeição, causa mais ruído. Falar de quem erra o tempo todo não adianta, e passar semana após semana cultuando uma série com elogios, não será rico pra ninguém. Por isso, esse espaço tem a intenção de falar muito bem de Homeland sempre que for possível, e também de puxar um pouco a orelha, quando algum deslize aparecer espremido em meio aos acertos. Assim, a review fica mais interessante de ser feita e mais desafiadora de ser lida. E vejam bem, eu SEMPRE tenho elogios a fazer, basta que os olhos atentem para eles.
Dito isso, posso passar ao tópico em que fica muito claro que Homeland virou sua maior inimiga, já que em seu caminho de extrema qualidade, existe o obstáculo da obrigação de sempre ser surpreendente. Quanto mais ela persegue a permanência desse status, mais se arrisca a ficar sem opções. Sendo assim, só nos resta a confiança nos roteiristas, de que sabem o que estão fazendo e não estão apenas jogando com nossas expectativas.
Nunca, nem em mil anos, eu imaginei que pegaríamos Brody tão rápido. Acho que ninguém imaginava. Nossa ansiedade em antecipar eventos podia, no máximo, acreditar que Carrieseguiria num processo de espionagem. Ideia, aliás, extremamente sedutora para nós, que amamos as nuances da personagem. Claire Danes deu uma linda amostra dessa possibilidade na cena em que atua para um Brody estupefato com o primeiro encontro em meses. No entanto, agora, não consigo imaginar mais como os dois podem ter qualquer interação. De fato, não dá pra prever quase nada.
Podemos nos arriscar a algum caminho… Tentar imaginar que talvez o vídeo em si, não seja suficiente para incriminar Brody. Se ele não fala, não há provas cabais. Esse pode ser um caminho para o adiamento, não sei… A verdade é que esse evento mudou tudo daqui pra frente. Mesmo que Brody continue se fazendo de vítima (o que com o vídeo é difícil), o antagonismo está estabelecido completamente. É guerra. E essa incerteza torna o futuro da série tão excitante quanto assustador.
Os minutos finais desse episódio provaram que as tensões são tão embasadas que durante o momento no bar, quase é impossível respirar. O silêncio grita uma espécie comprimida de medo que está tão invisível quanto perceptível. E a cada minuto a sensação é de sufocamento, de ansiedade patológica… Homeland consegue nos alcançar fisicamente, às vezes. E isso é lindo de se ver…
Em volta dessa trama temos os coadjuvantes ainda sem um rumo muito específico. Enquanto Jesscontinua na direção do adultério, a filha de Brody tem o plot mais difícil de ser definido. Eu quero acreditar em um plano, mas há chances de ver tudo isso ser apenas uma maneira de rechear episódios. E quando digo que “quero um plano” eu me refiro ao grande potencial de uma trama que correlacionasse Brody e os conflitos de personalidade de sua filha.
E o que dizer sobre Peter, o possível novo interesse romântico de Carrie? Bom, a incrivelmente perfeita cena entre ela e Brody no quarto do hotel, já antecipou que essa tensão emocional está morta. Com isso, um novo colega de trabalho surge, mandão, articulado, com um charme rebelde e arrogante. E eu vou pedir aos leitores do review que me perdoem, mas eu estou dispensandoCarrie se comportando como uma menininha que faz birra com o menino por quem se sente atraída. Esse tipo de estratégia (implicância inicial) para unir dois personagens é mais velho que andar pra frente. Mas, não posso refutar quem usa o argumento de que na vida também é assim.
Por fim, estou me deleitando com essa incapacidade de prever o futuro de Homeland. Eles têm sido ousados em um nível estratosférico… Mas, o que mais tem aí é roteirista de série “genial” dando tiro no pé. Sejamos cautelosos. Homeland tem tudo nas mãos para continuar sendo uma das produções mais bem sucedidas da atualidade.
No meio do caminho pode até ter uma pedra… Mas eles podem saber muito bem como chutá-la pra bem longe.

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