Review: Dexter – 7×04: Run - Líder Séries

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23 de outubro de 2012

Review: Dexter – 7×04: Run



É um trabalho difícil, mas alguém precisa tirar o lixo das ruas.
Spoilers Abaixo:
Essa parece que vai ser a temporada da reconstrução do relacionamento de Deb e Dexter. Eu estou gostando bastante desse desenvolvimento e fico surpreso de como os confrontos estão percorrendo um caminho em tons de cinza e fugindo um pouco da zona de conforto. É simples quanto tudo é preto ou branco, mas nada é mais complicado do que sentimentos confusos.
Deb aceitou o fato de que o trabalho de Dexter em tirar o lixo das ruas, pode realmente salvar vidas de pessoas inocentes. Porém, isso não quer dizer que ela aceitou completamente o que Dexter faz. Ele insiste que o status quo não foi alterado, que ele continua sendo o mesmo irmão que a ama e vai estar lá sempre que ela precisar, mas Deb ainda não consegue apagar a visão do monstro que coleciona gostas de sangue de suas vítimas como troféus.
O sonho da banheira ensanguentada foi muito interessante. Dexter parecia prestes a pedir a mão de sua irmã em casamento, mas acredito que pedido em questão, tem a ver com outro tipo de laço íntimo: “Deb, você quer ser a minha cúmplice?”. Esse é o chamado de Dexter para Deb, chamado feito logo na season premiere quando ele a convenceu a queimar a cena do crime com o corpo de Travis na igreja, tanto que no sonho, Dexter está com a espada do próprio Travis em mãos. Não tem como pensar em banheira ensanguentada e não pensar na morte de Rita pelas mãos de Trinity. Esse paralelo pode ter sido feito pelo inconsciente de Deb, que agora questiona tudo que antes era tido como certo.
Eu realmente acredito que Dexter ame Deb. Por muito tempo ele foi rotulado como um psicopata desprovido de sentimentos, mas eu acredito que quando ele disse “Eu te amo” para Deb, não foi da boca para fora. Harry, Harrison, Rita, Astor, Cody, Deb. Você pode contar nos dedos, mas existem sim pessoas que estão no coração de Dexter. Afinal, Deb é uma mulher emocional, que aceita que nem tudo no mundo está sob o seu controle. Dexter é racional e presunçoso e possui a total certeza que tudo no mundo está sob o seu controle.
Muito do episódio tratou sobre as guinadas do relacionamento entre Deb e Dexter. O conflito entre os dois nesse episódio teve momentos bastante intensos. Enquanto Dexter faz o seu melhor para reconectar com Deb, ela não mede força para cutucar uma ferida profunda e dolorosa. Deb não hesita em jogar a culpa da morte de Rita nos ombros de Dexter, e por mais doloroso que possa ser, ela tem razão. A culpa foi mesmo de Dexter. Para dilacerar de vez a ferida, Deb coloca em cheque a segurança de Harrison. Quem vai proteger seu pequeno sobrinho das mãos sangrentas de Dexter? Como se esquivar de todo o mal que é atraído como um ímã para Dexter?
Do pó ao pó. Gostei muito da sequência que envolveu a morte de Speltzer. Ele foi tratado como se fosse uma criatura sobrenatural, morto com uma estaca e fogo. A trilha sonora poderosa que embalava o corpo inerte de Speltzer em direção ao inferno, junto com as lâminas de sangue de Dexter, foi uma cena muito marcante. Quem já leu um pouco sobre assassinos em série ou já assistiu episódios suficientes de Criminal Minds, sabe como o ritual de um serial killer é sagrado para ele. Os troféus faziam parte do ritual de Dexter, mas ele está disposto a reformular seumodus operandi e abrir mão de um símbolo, que ao mesmo tempo deixa Deb enjoada, e também o deixa vulnerável como provas de seus assassinatos. Tenho que confessar que vou sentir falta das lâminas de sangue. Elas fizeram parte da série durante todos esses anos, como se fossem um coadjuvante mudo, que esteve presente na grande maioria dos episódios. Sinto que a despedida das lâminas vai de alguma forma voltar a tona quando a investigação de LaGuerta sobre o Bay Harbor Butcher estiver madura. Imagino um momento no futuro em que vamos pensar, “Putz, ainda bem que ele se livrou das lâminas de sangue”.
O encerramento do episódio foi como se fosse um processo de passagem para a aceitação de Deb no papel mínimo de cúmplice de Dex. Foi como se eles dois estivessem em um pequeno conclave trancados naquele carro, observando a fumaça branca, que significava a eleição de um novo estado de espírito. Ali Deb descobriu que sentir gratidão pela morte de uma pessoa que você odeia e teme não é um sentimento exclusivo de um monstro desalmado. Ali dentro do carro ela entendeu que aquele sentimento é mais normal do que ela imaginava. Ali ela enxergou o primeiro resquício de humanidade em Dexter, desde que testemunhou a morte de Travis, e isso pode ter sido a guinada que coloca o relacionamento de Deb e Dexter de volta aos trilhos.
Pensamentos finais:
- Fico imaginando o filme que passou na mente de Dexter enquanto Hannah narrava sobre os dias cheios de sonhos e possibilidades de sua juventude ao lado de um assassino na estrada.
- A máfia ucraniana está fechando o cerco em Dexter. Acho muito legal aquele guarda-costas que nunca diz uma palavra, está sempre atento, adora seu fone bluetooth e é de uma pró atividade inumana. É como ter seu próprio Cylon de estimação.
- Essa não foi a primeira vez que Dexter teve dificuldades com uma vítima bombada. Lembram-se de Little Chino lá na 2a temporada? Ele era ainda maior que Speltzer.
- Dexter pode até negar, mas as duras palavras de sua irmã sobre o risco que Harrison corre como efeito colateral de suas ações acabou influenciando na decisão de mandá-lo para a casa dos avós, mas acredito que decisão de manter o próprio filho longe do fugo cruzado, não foi exatamente uma decisão altruísta da parte de Dexter. Existe um lado egoísta, que foi alimentada pela frase mais clichê dos filmes de ação: “Um homem que não tem nada a perder é muito perigoso”.

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