True Blood – 5×03: Whatever I am, You made me - Líder Séries

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27 de junho de 2012

True Blood – 5×03: Whatever I am, You made me


Inteiramente responsável por aquilo que cativa.
Spoilers Abaixo:


Pode não parecer ao olharmos superficialmente, mas tudo que aconteceu em True Blood essa semana foi costurado por um conceito. E poderíamos estar mais felizes? A série voltou a fazer o que sabia fazer bem, que é amarrar um enredo dentro de um propósito e não só contar histórias de sexo, sangue e choque de modo aleatório.
Na semana passada, li alguns comentários sobre a review e alguns concordavam com a ideia de que True Blood era uma série cobrada demais. Sim, ela é. Mas isso tem uma procedência. A série tem uma quantidade imensa de “selos de qualidade”. Ela carrega o legado de Alan Ball, da HBO, da obra de Charlaine Harris… Existem muitas cobranças porque criaram muitas expectativas. E nós, assim como os personagens desse episódio, fomos cativados e estamos apenas exigindo a responsabilidade por isso.
Somos obrigados a começar por Tara. E quando digo “obrigados” me refiro a insistência dos produtores em manterem a personagem a todo custo dentro do programa. O vampirismo de Taraé muito bacana, eu confesso. Adoro quando um personagem vira vampiro, porque isso representa novas facetas e possibilidades. E isso seria ótimo para Tara, depois de tanto exagero dramatúrgico. O problema é que a transformação dela apenas acrescentou presas a seu já batido discurso. O ódio pelos vampiros continuará, e o drama, infelizmente, também. Vamos passar o resto da temporada ouvindo suas lamúrias sobre ter sido transformada sem escolha, enquantoSookie Lafayette tentam conseguir seus perdões.
Já vimos essa Tara. Gostaríamos de ver uma outra… Uma que acordasse para essa nova vida adorando ter sido transformada. Uma que vivesse a ironia de ter odiado por tanto tempo, criaturas que ela descobre serem fascinantes.
Tara dessa semana serviu apenas para encaixar Pam dentro do enredo. A Pam que adoramos, mas que revela esse passado tão desinteressante. Não me entendam mal, a cena que trouxe de volta a dupla Bill Lorena foi bem bacana, e eu admiro o sentimento de carinho que Pam tem por Eric, mas essa personagem, humana ou vampira, em qualquer época da humanidade, seria tudo, menos entediante. E foi isso que nos mostraram: uma Pam entediante, cheia de mimimisobre uma vida sem objetivos e sem sentido.
Mas foi Pam quem criou Tara, e essa criação despertou nela as lembranças sobre quando ela mesma foi criada. Essa é uma grande sacada do roteiro, e é também a sacada que pode salvarTara e dar mais independência a Pam. E não descarto algo mais intenso entre elas, já que Pamadora humanas quentinhas e Tara já andou calçando 43.
Nós somos assim mesmo, um emaranhado de reflexos de nossas primeiras experiências de vida. Quando a psicologia atribui culpa a núcleos familiares por conta de distúrbios comportamentais, não está sendo tão paranoica assim. Apaixonar-se na adolescência quase sempre determina nossos pontos de atração dali por diante. Em nossos parceiros futuros, um pedacinho implícito ou evidente do primeiro que nos fez suspirar.
Jason entendeu isso, num dos momentos mais honestos do personagem desde que ele começou a se envolver com panteras. É outro acerto da série: voltar a falar sobre comportamento. Jasonsempre foi uma máquina sexual, e depois de transar com a ex-professora, aquela que representa a maior fantasia de um garoto heterossexual, e que moldou todo a sua autoestima, ele percebe que se deixou levar por esses sentimentos de orgulho sexual, em detrimento de tudo aquilo que poderia tê-lo feito melhor. E ele a enxerga como responsável por isso. Foi um momento ótimo do personagem.
Às vezes, nossa responsabilidade perante os outros nem está tão evidente assim. Em alguns momentos, basta que por nossa causa, alguém cruze caminhos perigosos.
Foi o caso de Debbie, que jamais deveria ter cruzado com a super-vagina de Sookie. O foco nem era ela, e sim seu namorado Alcide, mas as circunstâncias criaram uma rede de eventos que fizeram com que ela fosse a única a pagar com a vida. Agora, é responsabilidade de Alcide arcar com esse fato, e de Sookie, lidar com o que isso provocou em sua vida. Ela matou porque quis, porque desejou, e isso estranhamente, é o que enriqueceu seu papel nessa trama.
E então tivemos Salomé, numa outra jogada dramatúrgica de tirar o fôlego. E que caiu como uma luva para os propósitos conceituais desse enredo, visto que Salomé é descrita pelas escrituras como mais um símbolo da lascívia feminina, que teria decapitado um homem inocente apenas para proteger a mãe de sua condição bígama.
Salomé, no entanto, já foi romantizada. Nas palavras de Oscar Wilde ela já foi uma mulher que queria apenas beijar um homem e foi capaz de arrancar a cabeça dele para conseguir. Embora o motivo aqui tenha sido menos impessoal, ele ainda representa a luxúria e a vingança. Característica é claro, muito inerente ao que pensaríamos sobre essa mulher. Faz sentido então que Salomé seja a vítima que descreveu para Bill? Uma virgem enrolada em lençóis que foi entregue ao tio tarado? Há um discreto cheiro de conspiração no que ela fez essa semana eRoman não deveria se descuidar de sua “arma secreta”
Para um episódio como esse, cheio de força dramática e inteligência, nada melhor do que um final a’lá “Premonição”, e lá foi Tara fritar-se numa câmara de bronzeamento. Autoflagelação das boas, mas que não deve ajudar no extermínio completo. Tara sendo pedante e pretensiosa como sempre.
Ainda é cedo pra dizer que tudo voltou aos trilhos. True Blood derramou muita água fora da bacia pra já acharmos que começaram a acertar o alvo. Até porque, Jessica foi atrás de uma pessoa que tinha um cheiro inigualável, e nós, insistentes fãs, sabemos que cenas como essa prenunciam explicações absurdas. Da última vez eram fadas e panteras, sabe-se lá o que nos aguarda.  Que não sejam duendes, é só o que peço.

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