The Newsroom: As primeiras impressões - Líder Séries

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26 de junho de 2012

The Newsroom: As primeiras impressões



Estava tudo lá. Todos os elementos esperados em uma série que leva a assinatura de Aaron Sorkin estavam presentes. Os diálogos rápidos, o tom ácido, a crítica ao patriotismo cego e ao sistema político. Na primeira cena, acompanhamos um debate sobre a política americana onde estava presente o protagonista Will McAvoy, o âncora de um telejornal de uma rede de TV fechada, que tentava a todo tempo se manter neutro nas questões mais polêmicas. Em meio a perguntas e respostas, o mediador aproveita para caracterizar o personagem, explicando que ele é sempre lembrado por não tomar partido. Mas é claro que isso dura pouco.


Ao ser questionado sobre a razão da soberania americana, ele tenta manter a mesma postura indiferente, evitando maiores polêmicas. Mas a “visão” de uma mulher na platéia e a insistência do mediador para que ele saísse da sua zona de conforto o compelem a dizer o que realmente pensa: Os Estados Unidos não é o maior país do mundo. Por longos poucos minutos ele faz um discurso incrível, com argumentos capazes de deixar o mais patriota dos americanos boquiaberto. Chamado de louco, ele atribui o episódio a um remédio para vertigem.
Três semanas após o incidente no debate, voltando ao seu noticiário depois de uma folga, o âncora está de volta a redação do noticiário que lidera. Surpreso, encontra o ambiente praticamente vazio. É aí que recebe a notícia que perdeu a maioria da sua equipe para um novo programa, liderado pelo seu atual produtor executivo. Ao ser questionado, o presidente da emissora informa a Will que ele terá que montar uma nova equipe, e que uma nova produtora executiva já foi contratada. Ao saber quem é a escolhida, ele tem um surto, e se recusa a todo custo a trabalhar ao lado da nova parceira. Sem muita surpresa, somos apresentados à MacKenzie McHale, a mesma mulher que causou o surto de sinceridade a McAvoy no debate. Não é preciso muita informação para que saibamos que eles são velhos conhecidos, tiveram um caso amoroso no passado, mas que não são melhores amigos, muito pelo contrário. Somos levados a entender que ela fez algo de errado, já que é ele que não suporta a presença dela. Enquanto discutem o passado e o futuro, o produtor Jim Harper, que acompanhou Mackenzie na nova empreitada, recebe a notícia de um acidente em um poço de petróleo no Golfo do México. Seguindo seu faro jornalístico (e com bastante sorte, diga-se de passagem), ele percebe que a notícia vai bem além do que se apresenta. Trata-se de um vazamento de óleo de grandes proporções, que viria a ser um dos maiores acidente ambiental da história. Na outra ponta está Don Keefer, o ainda produtor executivo, prestes a deixar o jornal, que preza pela moderação, e acha que ainda é muito cedo pra muito alarde. Somos apresentados ainda a Dev Patel, escritor do blog de Will, e a Maggie (Maggie, Margaret, Maggie) que começa o episódio como estagiária, e termina como Produtora Associada.
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O que vemos a partir daí é o desenrolar da cobertura jornalística. Will decide seguir o faro de Harper, e as discussões de quem está certo e quem está errado dá lugar a uma incessante busca por fontes, notícias, entrevistas e depoimentos. Como não podia deixar de ser, a parceria entre Will e Mackenzie se revela um sucesso. A notícia que a princípio se tratava de uma pequena nota se transforma em um grande furo de reportagem. Por fim, os protagonistas percebem que juntos podem realmente fazer um trabalho de qualidade, se deixarem de lado as diferenças do passado, coisa que sabemos que não vai ser fácil.
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Mas não posso deixar de falar dos defeitos. O episódio trouxe alguns clichês desnecessários, como o diálogo em que Mackenzie diz que Will não se lembraria da noite em que conheceu seus pais, e ele narra com detalhes o acontecimento. Ou a cena em que ela tenta revelar ao âncora que ele não teve uma alucinação quando a viu na platéia do debate, e a porta do elevador fecha sem que ela consiga dizer a verdade (por que ela estava carregando aqueles papéis três semanas depois do fato?). Outras coisas acabaram ficando bregas, como a trilha extremamente melancólica no final do discurso de Will no debate. Mas essas coisas não chegam a atrapalhar o episódio. São 72 minutos que passam despercebidos diante de tanta genialidade. Os diálogos são impecáveis. Os atores estão no tom exato (talvez a minha dúvida em relação a isso tenha sido a Emily Mortimer, como Mackenzie). A produção é de um capricho poucas vezes visto na TV. Tenho certeza que a série chegará ao final do ano como um dos grandes destaques. O único problema é que a temporada terá apenas 10 episódios.
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Observação: achei o piloto muito parecido com o episódio de estréia de outra série do Sorkin, Studio 60 on the Sunset Strip. Também em Studio 60, um ex-casal é obrigado a passar por cima de suas diferenças para trabalharem juntos novamente. Nas duas séries, um programa de TV sofre baixas na equipe e precisa recomeçar com um novo grupo. Mas o que mais me chamou atenção foi o sistema que sinaliza a importância da notícia emThe Newsroom, que trouxe ao episódio a mesma tensão que o relógio trazia em Studio 60. Não acho que isso seja um defeito, muito pelo contrário. O roteirista nunca escondeu o descontentamento por não ter podido terminar de contar a história que tanto queria naquela época. Vamos torcer pra que desta vez, ela tenha tempo de sobra pra dizer o que tem vontade.
fonte: teleseries

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